18/08/2015

O que são os "Transgénicos" ?

Os transgénicos são organismos vivos modificados em laboratório, onde se altera código genético de uma espécie com introducção de uma ou mais sequências de DNA (genes), provenientes de uma outra espécie - sexualmente não compatíveis - por exemplo: introduzir fragmentos de DNA de bactérias/virús no DNA do milho.

Este(s) novo(s) gene(s) introduzido(s) nunca antes na Natureza pertenceram ao genoma dessa espécie e vão conferir-lhe uma "nova" característica e/ou fazer com que essa espécie produza "novas" substâncias/proteínas.




As técnicas da engenharia genética consistem em isolar segmentos do material genético de um ser vivo e introduzi-los no material hereditário de outro. Esta técnica não pode ser comparada, como nos querem vender, com os melhoramentos genético feitos desde sempre na agricultura onde se cruzam organismos dentro da própria espécie, ou seja, que se cruza milho vermelho com milho amarelo...

Existem 3 tipos de organismos transgénicos de momento a serem comercializados para agricultura e para consumo:

- as plantas trangénicas onde foram introduzidos genes para resistir a um determinado pesticida (quando nele aplicado);

- as plantas trangénicas onde foram introduzidos genes para que a própria planta produza o seu insecticida (em todas as suas células);

- as plantas trangénicas que têm estas duas características.

O cultivo e consumo de transgénicos estão a ampliar os impactos ambientais, sociais e o bem-estar dos consumidores.

Ambiente e Agricultura

Um dos principais problemas ambientais relacionados com os transgénicos é a contaminação genética (cruzamento entre plantas transgénicas com plantas convencionais). Este tipo de contaminação é irreversível, uma vez que, um gene quando “ lançado” no meio ambiente não existe forma de o eliminar do ecossistema.

Ora, este gene ao expressar características com consequências negativas no ambiente/saúde faz com que, os organismos que o adquirem (através do cruzamento com organismos transgénicos), transportem no seu código genético infomação que gera poluição (pelos impactos negativos que causa) irreversível (porque não se consegue remediar) na biosfera.

Além dos impactos no ambiente e na saúde imprevísiveis que as “ espécies contaminadas” podem causar, ao transportar o novo gene no seu genoma, esta espécie fica com uma patente cravada no seu código genético. E, através das patentes sobre OGMs, as companhias ganham OGMs!

O cultivo de transgénicos pode aumentar o uso de herbicidas na agricultura. Estes ao serem produzidos com o objectivo de resistir um único herbicida, pode originar que, no final de alguns anos de uso deste herbicida, o agricultor começa a ter problemas para eliminar as ervas daninhas (que adquiram resistência a esse herbicida).

Para resolver este problema, o agricultor é obrigado a aplicar o herbicida mais vezes e em quantidades cada vez maiores. E isso significa que mais herbicida será depositado no solo e na água na sua exploração de cultivo. Quando essas quantidades não são suficientes, o agricultor terá que aplicar outros herbicidas que as ervas daninhas ainda não são resistentes. Toda esta lógica de aplicação de pesticidas tem efeitos na água, no solo, na saúde dos seres humanos difíceis de quantificar.

A diminuição da agrobiodiversidade não é apenas uma consequência da agricultura com transgénicos. Já antes, com a Revolução Verde e a industrialização da agricultura, se iniciou a transformação de uma agricultura eficiente para uma agricultura baseada na produtividade e no lucro.

Assim, as variedades com maior valor comercial foram tomando o lugar das mais diversas variedades que se desenvolveram pela mão dos camponeses ao longo de milhares de anos. O monocultivo, assegurado por máquinas, agroquímicos e agora também por variedades transgénicas criadas no laboratório, transformou a riqueza da agricultura em campos vulneráveis a pragas e ecologicamente pobres.

Saúde

As consequências que poderão existir a longo prazo (da inserção de genes a organismos que não lhe pertencem) são completamente imprevisíveis devido a toda a complexidade referente à genética e ausência de conhecimento nesta área para avaliar o risco de tal passo.

No entanto, do que até hoje foi estudado, existe uma divisão de opinião a nível dos cientistas dos riscos que o cultivo de transgénicos pode causar na saúde humana, assim como, existem muito poucas avaliações de risco na saúde devido ao consumo de transgénicos, logo muita incerteza em relação a este tópico.
O efeito do aumento do uso de herbicidas e pesticidas na agricultura com transgénicos não reflecte um bom sinal para a qualidade dos alimentos que ingerimos.

Os possíveis efeitos na saúde humana dos transgénicos estão relacionados o aumento de alergias, aumento da resistência a tratamentos com antibióticos e alterações de peso em fígados e rins de cobaias.

Como não existem informações suficientes sobre a segurança do consumo de alimentos transgénicos ingeri-los significa correr um risco desnecessário.

Sociais e económicos
 
A produção de transgénicos está dentro de um sistema de agro-indústria.
Este tipo de sistema agro-industrial apenas beneficia as grandes empresas como Monsanto, Pioneer, Syngenta que monopolizam a venda de produtos desta indústria (sementes e agro-tóxicos...).

Hoje em dia, este é sistema domina os princípios da agricultura latifundiária e tem consequências avassaladoras para todos os países onde a agricultura é o sector principal na sua economia. Estas consequências são traduzidas em mais fome, probreza, aumento da dívida dos países pobres para os países
mais ricos/dependência...

Muitas pessoas acreditam que os transgénicos foram inventados para produzir mais e acabar com a fome no mundo, ou para resistir condições adversas do meio ambiente como, as chuvas, as secas e temperaturas extremas. No entanto, depois de mais de 10 anos do cultivo e comercialização de transgénicos, por exemplo, a fome no mundo para milhares de pessoas continua a ser uma realidade.

Adquirir sementes patenteadas e entrar no monopólio de sementes (transgénicas ou não) criados pela agro-indústria, conduzirá os povos à perda da sua soberania alimentar e à perda de recursos alimentares. Por isso, os transgénicos não mitigarão a crise alimementar, irão em vez disso, reforçar o aumento desta crise.

Pela Soberania alimentar dos Povos, pelo respeito à biodiversidade...para que o direito à escolha seja um direito dos consumidores, estamos a lutar pelas sementes livres de Transgénicos!

postado em http://gaia.org.pt

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