04/10/2015

O sistema Neoliberal exige que seja ele a defenir o preço de qualquer bem ou serviço

Outra das afirmações expressas pela corrente neoliberal é de que para tudo o que tiver um preço, este deve ser formado pela pura concorrência entre os intervenientes do mercado, de forma que se obtenha aquele que seja mais justo e eficiente. 

Não sendo admitidas quaisquer interferências dos Estados, na formação do preço de qualquer produto. 
Ora tal será de uma impossibilidade total, uma vez que implicaria que todos os intervenientes no mercado tivessem em equilíbrio de poder concorrencial perfeito entre si. 
Que dentro das operações de transacção mercantis, que envolvem produtores, intermediários comerciantes e consumidores, todos estivessem em equilíbrio perfeito de poder de imposição, de modo que o preço justo de qualquer produto a todos satisfizesse de igual modo.
O que na realidade se verifica no quotidiano, é que existe sempre uma parte que é dominante nas trocas comerciais, a qual tem a capacidade de impôr o seu preço, de modo a maximizar o seu lucro, dentro do processo económico que implica a maximização de consumo, pelo consumidor.
A formação do preço de referência terá a ver sim, com a posição mais ou menos dominante no mercado, da entidade que possui a capacidade de o definir, e também da forma como ele é definido. 
Por exemplo, é muito diferente estabelecer preços de referência de uma matéria-prima de base, quando esta é produzida por um exército de produtores, como por exemplo o cacau, ou quando esta é produzida por meia dúzia de multinacionais, como por exemplo o minério de cobre; existe igualmente uma grande diferença na definição de preço de um produto fabricado, com baixa tecnologia e grandes economias de escala, ou um produto que tenha como base patentes de alta tecnologia; ou ainda existirá uma grande diferença de definição de preço da mão-de-obra utilizável, entre os vários países do mundo, dependendo da sua qualidade específica e de motivações políticas e económicas relacionadas com cada país.
A verdade é que retirando os Estados dos processos de controlo, dificulta-se o estabelecimento de regulamentação que controle os abusos de posição dominante, normalmente assumidas pelas multinacionais junto das partes mais fracas das relações comerciais. E isso na realidade será o que se pretende com estas teorias; afastar qualquer entidade que possua a capacidade de proporcionar maior equilíbrio nas relações desiguais havidas nas citadas formações de preço de mercado.
Tendo como sabemos, o mercantilismo global o apadrinhamento tácito americano, não admira ser este país a principal força de pressão para a assinatura de acordos de livre comércio, que impossibilitem qualquer controlo nacional sobre a livre circulação de bens e sobre a formação dos preços de referência para qualquer produto. E desde há muito sabemos que país que o tente fazer é sistematicamente marginalizado, nas relações comerciais de modo a que não se torne exemplo político económico para os demais. 
E é do conhecimento geral que existem práticas de dumping assassino, que visam conquistar mercados e destruir empresas concorrentes; lembremo-nos da Quimonda de Vila do Conde. É também de referir que muitas vezes na história recente foi utilizado a arma económica para desestabilizar e pressionar, países excessivamente dependentes da exportação de um determinado produto e ao mesmo tempo politicamente incómodos.
Daí a preocupação do sistema, em cultivar em todos os países elites governativas e económicas dependentes. Das que além de serem parte do negócio local, assumindo a sua parte através da participação económica ou através do roubo corruptivo, asseguram a legitimação do poder e do Estado, se possível democraticamente, se necessário ditatorialmente. Normalmente estará uma fatia do bolo guardada para premiar a sua acção, na condição de se possível perpetuamente garantirem os lucros e bónus renditas às entidades dominantes no sistema. Lembremo-nos dos nossos “abençoados” governantes.
Quanto maior for a estabilidade local, mais frutuoso será o rendimento e a garantia de proventos futuros. Logo, os preços praticados as mercadorias de referência também o serão.
O lado negro da coisa é que às populações reserva-se a sobrevivência necessária; quando não a marginalização da fome e da miséria. Claro, que a mais-valia contida nos preços, que devia pertencer a quem produz acumular-se-á nos cofres dos carteis, satisfazendo a ganância sem limite do Deus dos lucros perpétuos.

1 comentário:

  1. Ou não fosse Portugal o principal "lacaizado" pelos tratados, acordos, ratificações,Convenções, etcc..existentes assinadas e convencionadas entre Estados dentro e fora da UE. Estamos atados, de pés, mãos, pescoço, tudo! A toda a espécie de cárcere económico, social, humano, Militar, Territorial, etc...existente e legalizado por esse Mundo fora...já sem os encargos chamados UE e Dívida.

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