12/08/2015

A Cavaca Madrasta, as duas filhas feiosas e a Cinderela (histórinha de embalar)

Era uma vez uma velha muito má e chéché chamada Cavaca Madrasta. A múmia da velha tinha duas filhas muito feiosas e mentirosas que se chamavam Paulina e Coelha.

A velha arranjou maneira de casar com um tipo que também tinha uma filha chamada Maria à Esquerda, também conhecida como a Cinderela.

O tipo tinha tido juizo a vida toda, fartou-se de trabalhar, juntou umas coroas e ia deixar uma casa á filha e tudo ... porém, o pai da Maria à Esquerda, acabou por bater as botas, e como era um bocado parvo a votar, a velha da Madrasta Cavaca acabou por ficar dona da casa toda, que devia ter sido herança da Maria.


As filhas monstrengas da Paulina e da Coelha logo se instalaram á vontadex lá em casa, fazendo da Maria uma parva de uma escrava. A desgraçada da Maria lavava, esfregava, cozinhava, passava a ferro e vivia que nem uma moura a trabalhar para as outras três que comiam e engordavam que nem umas bestas, enquanto a Maria apenas comia as sopas frias que sobravam das aziadas das irmãs que não lhes tocavam, porque só queriam comer camarão e tostinhas com caviar, pagas com o dinheiro que o pai da Maria tinha juntado.

Pois também num dia de baile (a história da Cinderela tem de ter um baile), a Maria à Esquerda Cinderela viu chegar uns embrulhos que as parvas das irmãs desembrulhavam ... e ele eram Submarinos, Aviões da TAP, AutoEstradas, Pontes, e um Pavilhão Atlantico que fez as delicias da velha da Cavaca. Pois nem bolo comeu, porque estavam lá o tio Belmiro, o primo Salgado, o Sr. Soares dos Santos da merceeiria do lado, e muitos outros, como o sinistro do avô Balsemão, que era o gajo que mandava naquilo tudo, a cortarem fatias muito grandes sem oferecerem nada a ninguém ... e nem faltou a enjoada da tia Jonet que lá ia dizendo que a Maria andava a comer bifes a mais, enquanto deixava cair fios de ovos pela boca abaixo.

E depois apareceu um Príncipe ... que era o cherne do Durão que apesar da cara de parvo, até tinha sido amigo da Maria à Esquerda quando era puto, mas como agora também tinha a mania que era fino, veio com uma senhora francesa que tinha facturas por pagar à lagarder que tinham a ver com as prendas das outras, mais duas PlayStations (as filhas), uma Quimby e uma carrada de electrodomésticos, que incluiam máquinas de lavar loiça e roupa, os quais a Cinderela nunca tinha posto a vista em cima, pois as cabrestas sempre a obrigaram a lavar loiça e roupa à mão.

Enquanto as irmãs mentirosas da Coelha e da Paulina apontavam para a Maria, toda a gente na festa assobiava para o lado e coçava o nariz ... a parva da Madrasta Cavaca num ar muito parental avisou a Maria que apesar de não se meter nas lutas politico-partidárias das filhas, esta (a Maria), não tinha alternativa senão assumir compromissos, senão ainda a senhora francesa ia começar a perder a confiança nela e ficar muito zangada. Assim como ia perder a simpatia de uma alemã muito gorda que entretanto apareceu atraida pelo cheiro a salsichas, e que dizia querer ir buscar umas bonecas de pano ao sotão onde a Cinderela dormia (porque as feiosas entretanto tinham-lhe ficado com o quarto), e mais a cama, também da Cinderela, porque uma vez tinha emprestado uma almofada a uma das filhas da Cavaca e queria receber com juros.

A Maria à Esquerda levantou-se do seu banquinho de madeira (os convidados tinham ocupado os lugares á mesa e os sofás), respirou fundo e disse num tom calmo : "OK ... dêem-me só 2 minutos que vou ali buscar um mealheiro que o meu pai me deixou."

Enquanto saiu da sala todos se felicitavam ... abraçavam-se, abriam champanhe, faziam brindes, e aproveitavam o facto de a Cinderela ter saído da sala e não estar a ver, para assinar uns memorandos, uns tratados, umas privatizações, umas PPPs, e salvar uns quantos bancos ...

Porém a Ciderela voltou com uma vara de madeira enorme e desatou á paulada áquela gente toda ... e enquanto se atropelavam que nem ratos a correr para a porta e alguns a saltar pelas janelas, a Maria Cinderela não esqueceu de presentear os costados de nenhum ... e até o Principe Cherne levou com o sapatinho na cabeça para aprender a não vir candidatar-se a mais coisa nenhuma naquela rua.

Com aqueles vampiros todos corridos ... a Cinderela ficou com as prendas todas, com a casa e com os electrodomésticos que entretanto encontrou na arracadação do quintal, embalados e preparados para irem de estafeta para uma morada que ela nem conhecia ... porque afinal de contas, foi o trabalho do pai dela que pagou aquilo tudo.

E pronto ... deixou de ser Cinderela, passou a ser só Maria Esquerda, casou com um rapazinho muito jeitoso que sabia cozinhar, fazer massagens e arranjar coisas lá em casa, criou filhos, viu nascer netos e viveu feliz para sempre.

Anos após a sua morte, a casa ainda existe, assim como a famila Esquerda ... cheia de descendentes felizes e sem recibos verdes ou estágios parvos.

Vitória, vitória ... acabou-se a história.

João Henriques
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imagem João Pestana

Qualquer semelhança desta história com a realidade
é a mais pura das verdades.

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