23/12/2015

Os Donos de Portugal - Um Documentário que todos os Portugueses deviam ver

Este é um documentário que todos os portugueses deviam ver. 

Este é um documentário que em muitos canais se encontra bloqueado para Portugal, se não o estiveres a conseguir ver, entra neste link e faz o download do Tor Browser. Vê o video a partir do Tor porque o Tor vai simular que estás noutro ponto do globo e vais conseguir ver este video.

Em primeiro lugar o documentário aponta uma elite económica que se afirma a partir de "uma relação de grande promiscuidade com o poder do Estado e sempre sob sua protecção, uma característica que atravessa os vários regimes". 

Depois, assinala "como a elite económica se constitui ao longo de um século como uma grande família". Por último, desmonta uma forma concreta de promiscuidade entre o poder político e económico, ao expor o "tráfego entre cargos políticos e lugares de topo nos grandes grupos económicos", sobretudo em ministérios estratégicos: Economia, Emprego e Obras Públicas.

O filme começa em finais do século XIX, revela uma burguesia que tem no Estado o seu mercado privilegiado e que sobrevive de relações estreitas com os universos da política e dos negócios, numa lógica de permanente favorecimento. Exibe-se o fracasso de uma burguesia incapaz de modernizar o país, absolutamente centrada no enriquecimento e na autopromoção social. Uma rede que é abalada com o 25 de Abril, mas que o Estado, através do processo de privatizações, coloca novamente no centro do poder económico e financeiro.

"No centro desse centro esteve sempre a família Mello", que há-de unir-se às famílias Champalimaud e Espírito Santo. A árvore genealógica da burguesia portuguesa mostra como o casamento é passaporte para assegurar a continuidade da direcção dos negócios e como o país económico é refém de "uma grande família", afirmam. Já no Estado Novo, o documentário revela "uma amizade única" entre Salazar e Ricardo Espírito Santo, que se "reúnem ao domingo" e se "correspondem regularmente". As famílias Champalimaud e Mello são à época, por exemplo, protegidas por regras alfandegárias que garantem mercados exclusivos.

Atravessa toda a película a ideia de que as grandes fortunas foram construídas sempre de mão dada com o Estado, com recurso a medidas de protecção concreta ou através de indemnizações ou empréstimos. Fernando Rosas, historiador e dirigente do BE, defende no decorrer d'Os Donos de Portugal que "a cultura da burguesia industrial portuguesa é uma cultura de chapéu na mão em relação ao Estado". Rosas explica ainda que "a elite política do país era muito pequena", o que fez com que a circulação entre os negócios e a política fosse mais intensa. "O Estado foi o construtor da burguesia, até que um dia, como no célebre conto do aprendiz do feiticeiro, o aprendiz tomou conta do feiticeiro", defende.

Sectores de "acumulação mais rápida" emergem no século XX a par dos impérios familiares. Américo Amorim, Belmiro de Azevedo e Jerónimo Martins passam a fazer parte desse núcleo duro, segundo o relato. Mas também a "elite angolana" é apontada como uma dona de Portugal. Pelo menos da banca. "Mais de 10% do BPI e do BCP, 25% do BPN" e empresas com Mota-Engil, PT, Zon, grupo Espírito Santo e Unicer.

Analisados 115 currículos de governantes do último século, o documentário conclui, com especial relevância para o PSD, que "entre política e negócios o trânsito é permanente e muito intenso". E que "esta promiscuidade cria um sistema de enriquecimento rápido e uma ascensão social vertiginosamente rápida", nas palavras de Jorge Costa.

Duas afirmações no documentário explicam quase tudo. A primeira é que "o lugar num ministério é hoje trampolim para uma vertiginosa ascensão social através de remunerações com que muitos quadros partidários nunca sonharam, nem no partido nem nas suas profissões". E a segunda vai ao âmago da corrupção: "Quem dirigiu a privatização passa a dirigir o que privatizou, quem adjudicou a obra pública passa a liderar a construtora escolhida, quem negociou pelo Estado a parceria público-privada passa a gerir a renda que antes atribuiu ou vice-versa."

"O filme acaba por procurar contribuir para a discussão da natureza da crise actual. É um filme que discute quem é que viveu afinal acima das nossas possibilidades", afirma Jorge Costa. O documentário termina com uma reflexão: "Sob o regime da dívida, a própria democracia política é ameaçada." No final, sobressai o retrato de um Portugal cada vez mais dependente das importações, refém do desemprego e da crise financeira internacional, que abandonou o Estado social e aumentou os impostos sobre o consumo. Numa última imagem, o que resta é um país que agoniza. Um país deprimido e, sempre, um país deprimente no círculo fechado dos negócios e da política.

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10 comentários:

  1. Magnífico... Agradecido por toda esta compilação... Relatos informativos desta natureza a que o Comum do Português se deveria disponibilizar a informar-se... Um Grande Bem Haja...

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    1. Muito boa perspectiva "Be Good" e com ela se poder avançar para mudar a realidade, se é que é preciso mudar ou saber viver com ela. €sta parte é a mais difícil assim como com um €URO comprar mais coisa e não ser necessário ganhar mais, dá para entenderes??

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  2. Parabéns. Um bom documentário...o "conhecimento e o saber" não ocupam lugar...menos novelas seria o ideal.

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  3. Excelente iniciativa. Males de um velho continente, onde Portugal ascende aos mais corruptos. É difícil respirar assim... as novas gerações que despertem! Está na hora.

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  4. Só acho graça o próprio partido a que Fernando Rosas pertence ter andado a atacar Paulo de Morais dizendo que era tudo fumo... Por isso é que nunca nos livraremos destes "donos". Metade dos eleitores ficam no sofá, a outra metade vota no Mr. Simpático. E os BE e PCPs quando toca a segurar o tacho não querem saber de Paulos de Morais e afins. À vista do circo que montaram nas últimas presidenciais e dos resultados que se viram deviam todos ter vergonha de se queixarem do que quer que fosse.

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  5. Não consigo ver o video nem enviar mensagem no facebook ?

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  6. Eu,filho de pobres trabalhadores do campo e um simples operário emigrante na Holanda onde resido desde 1964 e já velhote,93 anos de idade,a propósito deixo aqui êste meu desabafo em simples poesia:-Mas,porém,todavia,contudo/com populismo e demagogia/muita mentira,verdade parece/mas em liberdade e «democracia»/o Povo tem o Governo que merece/e contenta-se com Fátima,Futebol e Entrudo. A Pátria-Mãe p'ra mim madrasta/empurrou-me p'rà emigração/e maldita seja a Governação/que Portugal p'rà miséria arrasta.

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