17/12/2016

Eva Bartlett e a Síria. Resposta ao BuzzFeed

A 9 de Dezembro de 2016, a Missão Permanente da Síria para as Nações Unidas organizou uma conferência de imprensa em que a jornalista Canadiana desmentiu a Comunicação Social sobre Aleppo.

Depois do seu vídeo se ter tornado viral, a jornalista foi contactada via email pelo Ishmael. N. Daro, Social News Editor do Buzzfeed, para um artigo que pretendia fazer. Traduzimos na íntegra as perguntas e respostas, sendo que no fim está reproduzido o email e o texto da jornalista.


BuzzFeed: Eu sou um repórter do BuzzFeed News, com sede em Toronto. Estou a escrever em relação ao vídeo que se tornou viral com os seus comentários nas Nações Unidas há uns dias. Eu pretendia fazer algumas perguntas, para uma história no nosso website.

O jornalista Norueguês a quem se dirigiu, disse-me que os jornalistas foram levados acreditar que ouviriam comentários do embaixador Sírio Bashar Jaafari. Contudo, ele não estava presente. Você falou nas Nações Unidas como porta-voz do governo Sírio? Como é que apareceu na conferência de imprensa?


Eva Bartlett: Olá. Tem um conjunto da factos errados. Irei dizer quais.

- A conferência de imprensa era apenas para ser um relatório feito por mim própria e outras pessoas do painel. Sim, o embaixador al-Jaafari era originalmente para estar presente mas apenas para me apresentar. Devido à reunião na Assembleia Geral nessa manhã, ele desculpou-se perante mim por não conseguir estar presente.

- Eu não estava a falar nas Nações Unidas por ordem do governo Sírio mas antes a meu próprio pedido, para apresentar algumas descobertas que fiz, e também por meio da "US Hands Off Syria coalition". A questão é claramente para insinuar que eu sou uma "porta-voz" do governo Sírio e isso é jornalismo fraco da sua parte."


BF: "Escreveu no seu blogue que a viagem à Síria em Novembro foi organizada por um membro do parlamento Sírio. A viagem foi paga pelo governo Sírio, ou pagou a sua própria passagem, estadia,  e outras despesas?"

EB: Está extremamente errado aqui, e eu cito " "Escreveu no seu blogue que a viagem à Síria em Novembro foi organizada por um membro do parlamento Sírio. A viagem foi paga pelo governo Sírio, ou pagou a sua própria passagem,  estadia, e outras despesas?" 

Não, eu escrevi no meu blogue que a viagem de 2-5 de Novembro a Aleppo foi organizada (para outros jornalistas estrangeiros do NY TIMES, BBC, LA TIME e outros) por um membro do parlamento de Aleppo.

Não, a minha viagem NÃO foi paga pelo governo Sírio. Eu própria pedi e paguei o meu visto, as minhas despesas da viagem e o alojamento. A ÚNICA excepção é que na viagem de 2-5 de Novembro com os outros jornalistas estrangeiros o autocarro foi fornecido, por isso nenhum de nós pagou transporte nesse pequeno percurso. Nas anteriores e subsequentes, eu paguei o transporte, alojamento e viagem.


BF: "Acredita que foi capaz ganhar um olhar mais natural sobre o país, ou acredita que houveram esforços do governo Sírio para apresentar uma determinada narrativa?"

EB: "Eu pedi para ir a Aleppo e a áreas específicas de Aleppo. Solicitei para ir a outras zonas da Síria (Homs muitas vezes, Latakia, Jablehm Tartous, Yarmouk, Masyaf, Sweida, Maaloula, Palmyra): estes pedidos foram aceites. Eu tive genuínos encontros cara-a-cara com Sírios em Aleppo, e em todo o lado por onde viajei, por minha conta própria e sem interpretes representando o governo, a não ser quando pedi pela assistência deles. 

Eu falo árabe e falei directamente com as pessoas que encontrei, algumas vezes eu tinha comigo um tradutor  que não foi fornecido pelo governo. A "narrativa" que eu vi e apresentei é a das pessoas Sírias em Aleppo."

Veja:


Aleppo: How US & Saudi-Backed Rebels Target ‘Every Syrian’

Western Corporate Media ‘Disappears’ over 1.5 Million Syrians and 4,000 Doctors

Eva Bartlett photo essay: Aleppo and nearby villages ravaged by the U.S.'s "moderate" terrorists


Overcoming Savagery and Treachery, Maaloula's Heroic Defenders Fight for the Future

BF: Fez algumas alegações na troca de palavras com o outro jornalista que podem atingir as pessoas como sendo estranhas. Por exemplo, disse que ninguém em Leste de Aleppo ouviu falar dos Capacetes Brancos. Pode elaborar?

EB: Nenhum dos IDPs (internally displaced persons) que conheci num abrigo em grande Aleppo ouviu falar dos Capacetes Brancos, apesar de terem membros familiares que estavam na altura (principio de Novembro) presas em zonas do leste pelos terroristas e que queixaram-se ás pessoas com quem falei que os terroristas estavam a acumular comida e a impedi-los de aceder a cuidados médicos.

Eles não ouviram falar dos Capacetes Brancos, nem os IDPs que conheci que escaparam recentemente de al-Helloq, leste de Aleppo. Nem nenhum dos médicos com quem falei em Aleppo. Nem nenhum dos cidadãos com quem conversei em Aleppo (que têm igualmente família nas zonas a leste).

Mais recentemente, desde a conferência de imprensa a  9 de Dezembro, Aleppo foi quase completamente tornada segura. Testemunhos incontáveis de civis que foram salvos dos terroristas que habitavam essas áreas mostram que eles também não ouviram dos tão infames Capacetes Brancos."


Para  actualizações mais recentes sobre isto no terreno, eu sugiro que leia o texto (deixou de funcionar) de Vanessa Beeley, que acabou de passar três dias em zonas libertas do leste a conversar com evacuados.

"Durante o meu tempo em Hanano, Este de Aleppo, eu falei com muito civis que tinham sido   libertados da prisão de quatro anos pela NATO e das brigadas terroristas do estado do Golfo. Eu perguntei se eles conheciam os Capacetes Brancos. Todos olharam para mim com cara de confusão, e a maioria respondeu que nunca tinham ouvido falar deles de todo.

Alguns disseram que conheciam trabalhadores que se auto-intitulavam  "defesa civil" e trabalharam com terroristas. Perguntei se eles também ajudaram civis; um homem disse que sim, algumas vezes eles ajudaram-no e a sua família

Eu entrevistei trabalhadores do Crescente Vermelho Árabe Sírio que estavam no terreno em Hanano. Eles nunca encontraram os Capacetes Brancos no tempo todo em que trabalharam a Este de Aleppo desde que a área foi invadida e ocupada em 2012"

BF: Também disse que a vontade do povo Sírio podia ser medido pelos resultados eleitorais de 2014. É meu entendimento que só  foi possível votar em áreas controladas pelo governo, e que nenhuns observadores suportaram o resultado. Concorda com a minha declaração?

EB: Na verdade, eu nunca inseri a palavra "só". Eu disse que era um bom indicador. Também mencionei que os civis enfrentaram bombas disparadas por facções terroristas no dia de eleições, e que tinha caminhado com multidões de Sírios no Líbano para irem votar na embaixada, de livre vontade. Também poderá estar interessado em anotar que Sírios de todo o Mundo voaram para o aeroporto de Damascus somente para votar porque as embaixadas nos países onde residiam  foram fechadas pelos governos.

Syrians Flock to Vote in Lebanon… But Not in The West


Most Syrians Support Assad, Reject Phony Foreign 'Revolution'

Liberated Homs Residents Challenge Notion of “Revolution”

BF:  Última Pergunta: Mesmo que não fosse sua intenção, os comentários na conferência de imprensa parecem colar com as mensagens do governo Sírio e Russo. Tem alguma preocupação pelas semelhanças de alinhamento com esses governos? Como responde ás preocupações que o vídeo está a servir a propaganda da Rússia e da Síria?

EB: Em relação à sua última pergunta, os meus comentários são somente meus, baseados em extensas viagens por toda a Síria. Os pontos de vista que expressei são meus e também reflectem a visão dos Sírios que conheci.

University Hospital, Damascus: Meeting Victims of Western-backed Mortar and Rocket Terrorism

The Terrorism We Support in Syria: A First-hand Account of the Use of Mortars against Civilians

Useful Atrocities

No que toca a propaganda, por favor veja como a verdade é distorcida e as vozes Sírias silenciadas,  incluindo pela ONU.

UN covers up war crimes in Syria, citing U.S. backed Al-Qaeda propagandists


Scoundrels & gangsters at UN: Silencing the Syrian narrative 

Syrian Ambassador to the UN Bashar al-Ja'afari on Sovereignty, Terrorism, and the Failure of the UN 

Eu não espero que vá apreciar isto porque o tom das suas questões reflecte o seu próprio alinhamento, que parece ser o mesmo dos Média, em que é determinado a ofuscação da verdade na Síria e promover a propaganda de guerra. Vamos dizer que ficarei agradavelmente surpreendida se provar que estou errada.

Eu acrescentaria, já que falou nisso, que pode encontrar os meus artigos aqui. Artigos no blogue sobre a Síria e o Líbano onde passei meio ano, entre visitas à Síria ou enquanto esperava pelas permissões dos vistos 

SYRIA: my published articles and other musings from and on Syria (2014/2015/2016)

E pode ver aqui muitos vídeos com Sírios:
ttps://www.youtube.com/user/InGazaUpdates/videos


Melhores cumprimentos,


Eva Bartlett


Reprodução do email

From: Ishmael Daro <ishmael.daro@buzzfeed.com>
Sent: December 15, 2016 3:24 PM
To: evabartlett@hotmail.com
Subject: Viral video of your comments at the UN

Hello Ms. Bartlett,

I’m a reporter with BuzzFeed News, based in Toronto.
I’m writing about the video of your comments at the UN that has gone viral in the last few days. I just wanted to ask you a few questions, for a story on our website.

- The Norwegian journalist you addressed told me that reporters were led to believe they would hear comments from the Syrian ambassador Bashar Jaafari. However, he was not present. Were you speaking at the UN at the behest of the Syrian government? How did you come to be at that press conference?
You wrote on your blog that your trip to Syria in November was organized by a member of the Syrian parliament.

- Was your trip paid for by the Syrian government, or did you pay your own air fare, accommodations, and other expenses?

- Do you believe you were able to gain an unvarnished look at the country, or do you believe there were efforts by the Syrian government to present a specific narrative?

- You made a few claims in your exchange with the other journalist that might strike people as odd. For example, you said nobody in Eastern Aleppo had heard of the White Helmets. Can you elaborate?
You also said the will of the Syrian people could be gauged by the results of the 2014 elections. It’s my understanding that voting only took place in government-controlled areas, and no credible election observers supported its outcome. Do you stand by your statement?

- Last question: Even if this was not your intent, your comments at the press conference appear to track with Russian and Syrian government messaging. Do you have any concern about seemingly aligning yourself with those governments? How do you respond to concerns that your video is serving as propaganda for Russia and Syria?

- If there’s anything else you’d like to add, please feel free to include it. Thanks.”

Ishmael N. Daro
BuzzFeed
Social News Editor



Reprodução do texto




Hello.  You have a number of facts wrong.  I will spell them out.

— [The] Press Conference was only meant to be a report back by myself and the others on the panel.  Yes, Ambassador al-Ja’afari was originally going to be present but solely to introduce me.  Due to the meeting in the GA that morning, he apologized to me that he could not be present.

— I was not speaking at the UN at the behest of the Syrian government but rather at my own request to present some of my findings, and also via the organizing of the US Hands Off Syria coalition.  Your question is clearly meant to imply that I am a mouthpiece for the Syrian government and that is indeed poor journalism on your part.

You are extremely wrong here, and I quote: “You wrote on your blog that your trip to Syria in November was organized by a member of the Syrian parliament.   Was your trip paid for by the Syrian government, or did you pay your own air fare, accommodations, and other expenses? ”

No, I wrote on my blog that the November 2-5 trip to Aleppo was organized (for the other foreign journalists of the NY Times, BBC, LA Times and others) by the Aleppo MP.  No, my trip was NOT paid for by the Syrian government.  I applied for and paid for my visa and my own travel expenses and accommodations.  The SOLE exception is that for the November 2-5 trip with the other foreign journalists the bus was provided, thus none of us paid for transportation on that short trip.  On prior and subsequent trips, I paid for transportation, accommodation, travel.

Your question: “Do you believe you were able to gain an unvarnished look at the country, or do you believe there were efforts by the Syrian government to present a specific narrative?”

I requested to go to Aleppo and to specific areas of Aleppo.  I requested to go to other areas of Syria (Homs many times, Latakia, Jableh, Tartous, Yarmouk, Masyaf, Sweida, Maaloula, Palmyra); these requests were fulfilled.  I had genuine one-to-one encounters with Syrians in Aleppo, and everywhere I travelled, on my own and without government representatives interpreting unless and when I asked for their assistance.  I speak Arabic and spoke directly with the people I encountered, and at other times had a translator not provided by the government with me.  The “narrative” I saw and presented is that of the Syrian people in Aleppo.

See:
www.mintpressnews.com/aleppo-how-us-saudi-backed-rebels-…/…/
http://www.strategic-culture.org/…/western-corporate-media-…
https://www.sott.net/…/327727-Eva-Bartlett-photo-essay-Alep…
http://ahtribune.com/in-depth/882-palmyra.html
http://www.strategic-culture.org/…/overcoming-savagery-trea…
Your question: “You made a few claims in your exchange with the other journalist that might strike people as odd.  For example, you said nobody in Eastern Aleppo had heard of the White Helmets.  Can you elaborate?”

None of the IDPs I met at a shelter in greater Aleppo had heard of the White Helmets, although they had family members who were at the time (early November) trapped in eastern areas by the terrorists and who were complaining to the people I spoke with that terrorists were hoarding food and not allowing them access to medical care. 

They had not heard of the White Helmets, nor had IDPs I met who had recently escaped from al-Helloq, eastern Aleppo.  Nor had any doctors I spoke with in Aleppo.  Nor had any citizens I spoke with in Aleppo (who likewise had family members in those eastern areas).  More recently, since the December 9 Press Conference, Aleppo has been nearly completely secured.  Testimonies from countless civilians who were saved from the terrorists inhabiting those areas show that they also had not heard of the so-called infamous White Helmets.

For more recent on the ground updates on this, I suggest you read the writing of Vanessa Beeley, who just spent three days in liberated eastern areas talking with evacuees.

“During my time in Hanano East #Aleppo I spoke with many civilians who had been liberated from their four year imprisonment by NATO and Gulf state terrorist brigades.  I asked them all if they knew of the #WhiteHelmets.  All of them looked puzzled and most of them replied that no they did not know them at all.
Some said they knew of the workers who called themselves “civil defense” and worked with the terrorists.  I asked if they also helped civilians; one man only said that yes sometimes they did help him and his family.
I interviewed the Syrian Arab Red Crescent workers who were on the scene in Hanano. They had never come across the White Helmets in all the time they had been working in East Aleppo since the area was invaded and occupied in 2012.”

Your question: “You also said the will of the Syrian people could be gauged by the results of the 2014 elections.  It’s my understanding that voting only took place in government-controlled areas, and no credible election observers supported its outcome.  Do you stand by your statement?”

In fact, I never inserted the word “only”.  I said this was a great indicator.  I also mentioned that Syrian civilians in government secured areas braved torrents of bombs fired by terrorist factions on voting day, and that I had experienced going with throngs of Syrians in Lebanon walking to the embassy to vote, of their free will.  You might be interested to note also that Syrians from around the world flew to Damascus airport solely to vote as embassies in the countries they were residing in had been closed by those governments.

http://www.ipsnews.net/…/05/syrians-flock-vote-lebanon-west/
http://orientalreview.org/…/international-observers-endors…/
http://www.sott.net/…/313862-Syria-Dispatch-Most-Syrians-Su…
http://www.ipsnews.net/…/liberated-homs-residents-challeng…/
To your last question, my comments are mine alone, based on extensive travels throughout Syria, spending months in the country and having countless one-on-one interactions with Syrians. The views I expressed are mine and also reflect the views on these Syrians I met.

https://ingaza.wordpress.com/…/university-hospital-damascu…/
http://zeroanthropology.net/…/the-terrorism-we-support-in-…/
http://zeroanthropology.net/2014/10/26/useful-atrocities/
Regarding propaganda, please see that of the UN, including how it distorts truth and silences the Syrian voices:

http://theduran.com/idlib-school-attack-and-how-the-un-cov…/
http://www.globalresearch.ca/not-tweetworthy-un-sel…/5501694
https://www.rt.com/…/229215-united-nations–syria-ambassad…/
http://english.al-akhbar.com/…/syrian-ambassador-un-bashar-…
I don’t expect that you will appreciate this as the tone of your questions reflects your own alignment, which seems to be with that of the media, which is determined to obfuscate the truth on Syria and instead promote war propaganda.  Let’s say that I will be pleasantly surprised if you prove me wrong.
I would add, since you asked, that you can find my writings here:

https://ingaza.wordpress.com/…/my-published-articles-and-o…/

Blog postings from Syria and from Lebanon where I’ve spent roughly half a year collectively in between visits to Syria or while waiting for visas to be granted:

https://ingaza.wordpress.com/…/my-published-articles-and-o…/

And can find many video clips with Syrians here:
e.com/user/InGazaUpdates/videos
 
Best regards,
Eva Bartlett

RiseUP Portugal

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