12/08/2015

O que estamos nós dispostos a permitir ?

Muitas vezes se discute o que este governo ou aquele é capaz de fazer. As recentes decisões deste executivo, são apresentadas como medidas experimentais, como inclusive sugerem as admissões de erros por responsáveis do FMI. 

Uma breve pesquisa na internet vos fará entender, que nada do que está a ser decidido em Portugal é novidade. Tudo já foi testado, tudo já foi experimentado, e na América do Sul, na Ásia ou África ... tudo já foi feito, e refeito, com resultados que são tão devastadores para as populações, como lucrativos para grupos financeiros ou lobbies que cuja relação com o mundo não é a prestação de qualquer serviço, mas sim a acumulação de riqueza ... apenas isso.



As privatizações a preço de saldo que são apenas a entrega de recursos naturais e estruturas, ou a liberalização do mercado de trabalho que também não é mais que a precarização da força de trabalho, não são medidas de uma recuperação económica que favoreça povoações, mas sim retratos mais visíveis de um assalto concertado.

E será o termo "assalto concertado", um termo muito forte ?

Não é aqui o meu papel propor-me a ensinar a alguém seja o que for ... porém, se nos lembrar-mos bem da destruição da agricultura e das pescas, como foi bandeira numa determinada altura da nossa História recente a criação do "país de serviços", da entrada dos recibos verdes e como estão agora a ser úteis na sua utilização em massa, ou mesmo a inegável corrupção sistemática em larga escala do sistema politico e de instituições, ou mesmo se seguirmos os percursos de alguns dos seus principais actores ... algo nos tem empurrado para aqui, e não me ocorre concluir que tenham sido episódios ao acaso.

Os Islandeses chegaram à conclusão que a responsabilidade da situação gerada não foi deles, e até agora têm-se dado lindamente com um caminho oposto aquele que nos é apresentado como o único caminho a seguir. Este caminho da austeridade tem sido talvez a maior campanha de marketing, de publicidade e controlo de opinião pública que alguma vez vi neste país, envolvendo os mais diversos agentes políticos, sociais e de comunicação social.

Como um anuncio publicitário, repetido incessantemente, feito por pulgas e carraças a cães que querem como hospedeiros, esta campanha tem servido para nos "vender" a justificação da implementação de medidas devastadoras, e de uma política económica e social que facilite a entrada de interesses de grandes corporações financeiras a quem já os nossos filhos devem, e irão dever para sempre, um valor muito mal explicado e apresentado, que vai crescendo com o tempo.

O caminho a seguir ... apenas me faz lembrar as incontáveis histórias de raparigas levadas para países estrangeiros para se prostituírem, e a quem lhes é negado passaporte até pagarem uma qualquer dívida à organização criminosa que as transportou, dívida essa que cresce todos os dias e nunca mais será paga. Nunca mais serão livres ...

Talvez o termo "assalto concertado" seja até ligeiro ...

Mas outra coisa gostava de poder dizer ... é que temos de entender que não é apenas um determinado governo ou político que temos de derrubar ... a tarefa é outra. É a de derrubar todo um polvo com acesso a meios ilimitado e muito bem organizado e estruturado.

mas ...

"O que me preocupa não é o grito dos maus.
É o silêncio dos bons.", como dizia Martin Luther King.

O que estamos nós dispostos a permitir ?

Joao Henriques

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