14/08/2015

TAP - Boa viagem !

Agora que o assunto TAP está resolvido ou quase, é altura de analisar alguns pontos. 

Poucos para não maçar muito mas que consideramos de extrema importância tal não é o silêncio ensurdecedor que recai sobre alguns deles. 

É um pouco extenso e por isso não vamos entrar em grandes detalhes nalguns aspectos como Sociedades Gestoras de Participações Sociais (SGPS), Subsidiárias, etc, para não complicar e alongar o que já por si é longo. Todos os links e mais informação no fim.




➽ 1) TAP SÓ DÁ PREJUÍZOS E NÓS A PAGAR. Mentira ou Verdade?

Mentira e Verdade. Normalmente depende do que convier para a argumentação das partes que discutem o tema, ou seja dos anos que trazemos para a discussão. Entre 2009 e 2013 a TAP apresentou lucros acumulados de 183 milhões€. Nos anos que antecederam a 2009 a TAP efectivamente apresentou prejuízos mas em contraponto a última vez que o Estado injectou dinheiro "gratuitamente" na companhia ainda existia o escudo, estávamos em 1997. 180 milhões de contos que nunca foram ressarcidos ao Estado(nós), é uma prenda no baú da privatização de que nada ou pouco se fala?

Desde 1997 até à presente data existiu apenas um empréstimo em 2012 no valor de 100 Milhões€ feito pelo Estado através da Parpública e que está a ser liquidado com acréscimo de juros a 8%. Neste caso até estamos a ganhar com essa injecção, mais a benesse de que a média das taxas aplicadas pela banca era de 6%, mas disto também não se fala. Ajuda, este empréstimo deveu-se à suspensão de uma operação de financiamento, devido à tentativa de privatização em 2012 que deixou a TAP sem dinheiro.

Pedro Passos Coelho de manhã dizia que o Estado estava proibido de injectar dinheiro por regras impostas pela UE mas à tarde a mesma boca já aclamava que os contribuintes não podiam continuar a pagar a TAP. Duas realidades completamente distintas e imiscíveis que se juntavam por milagre durante o almoço, ou então existiram apoios por baixo da mesa.

E só para terminar este ponto, depois de tanto ouvirmos que não podiam ser feitas injecções de capital, eis que aparece um qualquer iluminado, que por acaso até era uma iluminada da Comissão Europeia a dizer que afinal não era bem assim e podiam ser feitas em certos cenários. Ninguém percebe isto mas a verdade é que a Parpública emprestou com autorização da Comissão Europeia na operação de 2012 sob a excepção de que a última ajuda já tinha sido há mais de 10 anos. Na realidade tinha sido há mais de 15 anos a última ajuda financeira, e essa sim foi ajuda porque neste caso a Parpública fez um empréstimo e com piores condições que os bancos, ainda chamam a isto ajuda? Continuando.

➽ 2) O QUE REPRESENTAM A VEM E A PORTUGÁLIA

A Portugália foi comprada pela TAP em 2006 por 140 milhões de euros ao Grupo Espírito Santo sem passivo, dizem eles claro. Em 2007 é integrada na área operacional da TAP e com isso a sua rentabilidade é também integrada na TAP. Sabe-se apenas que a frota já não era recente à data. Existem informações de que a Portugália já se pagou 2 vezes, gostaríamos de ver esses cálculos dado que pelas contas disponibilizadas ao público é impossível saber. Possível sim mas até as vermos duvidamos claro.

A VEM foi outro negócio daqueles, nem pelo Fisco foi autorizado mas realizado (Está a ser investigado pela PJ). A Varig faliu em 2006, a TAP, SGPS compra a VEM que era a empresa de Engenharia e Manutenção da então falida Varig. Este negócio representou um investimento de 25 milhões de euros para a TAP, SGPS, que assumiu ainda 100 milhões de dólares de passivo. A ideia seria a TAP ter uma oficina na América do Sul, até aqui parece de génio, ou não, porque o actual Presidente da TAP foi Presidente da Varig durante 4 anos, 1996 a 2000. 

Mas isso não o inibiu de não "saber" que a TAP ME Brasil (ex-VEM) estava apenas certificada para trabalhar em Boeings e que esse "insignificante" detalhe iria originar que os aviões da TAP, que já eram todos Airbus não pudessem sequer lá ser inspeccionadas ou revistos. Essas acreditações demoram a obter mas talvez o Engº Fernando Pinto, também conhecido como Guru das Companhias Áreas, tivesse pensado que chegava por correio no dia a seguir.

Como se isto não chegasse, maiores problemas começam quando logo a seguir à compra o passivo consolidado da TAP ME Brasil era afinal superior a 500 milhões de euros, que por sua vez foram sendo abatidos aos Lucros da TAP desde 2007 nas contas consolidadas do Grupo. Fernando Pinto não assume o valor mas a dívida consta do passivo da TAP SGPS dado que foi ela que financiou a Subsidiária TAP ME Brasil. Para todos os efeitos a TAP ME Brasil já liquidou essa dívida, mas não esquecer à conta da TAP.

Existem perto de 2 mil acções em Tribunal de ex-trabalhadores contra a TAP ME Brasil e com isto enormes probabilidades de possíveis indemnizações na casa de largos milhões a somar ás já pagas como consta no relatório de contas. Quem paga? A TAP, porque é responsabilidade da empresa que promoveu os despedimentos. E a história dos negócios no Brasil não acabam na VEM, ainda temos a Aeropar Participações, S.A. (Brasil) que também apresenta milhões de prejuízos nas contas consolidadas da TAP. De salientar que a TAP ME Brasil já apresentou resultados operacionais positivos o ano passado, e é provável que este ano já tenha lucros. Boas notícias para quem compra agora não é?

A TAP,S.A apresenta lucros operacionais, quer isto dizer que os prejuízos são originados em áreas não operacionais da empresa, alguém arrisca as áreas que estão a causar isto quando é a feita a consolidação de contas do universo TAP SGPS? A TAP actualmente dá prejuízo porque foi usada para comprar pelo menos dois negócios multi-milionários totalmente falidos e pior que isso, totalmente endividados e judicialmente entalados.

➽ 3) HUB LISBOA

Neste assunto poucos tocam, conveniência ou não cada um que decida. O HUB de Lisboa, ou placa giratória, é um dos mais importantes HUBs da Europa segundo a própria StarAlliance; "Its Lisbon hub is a key European gateway at the crossroads of the African, North and South American continents, where TAP stands out as the international leading carrier in operation to Brazil."

O HUB em Lisboa é uma plataforma privilegiada de acesso na Europa, na encruzilhada com África, América do Norte, América Central e América do Sul. A Rede da TAP cobre 82 destinos, em 35 países, com a operação de 2.500 voos semanais em média.

Não existe um valor oficial para este activo mas pessoas ligadas à TAP e não só, dizem que poderá valer entre 800 milhões e mil milhões de euros. É muito importante frisar que o HUB é que permite ter as rotas que a TAP tem, o HUB é que permite ter 2,8 mil milhões de euros de volumes de negócios. A TAP vai? O HUB também!

➽ 4) DÍVIDA TAP

Foi se calhar o ponto que mais fracturou a opinião das pessoas e mais amplamente utilizado pelos defensores da operação. Um dos pontos mais importantes não foi até agora explicado como deveria e as informações dadas são hilariantes, quase nulas ou contraditórias, nada de novo portanto.

Comecemos então pela entrevista do ministro das vozes engraçadas na TVI, que não sendo o mais "importante" é se calhar o mais hilariante deste capítulo (Tem 15 min). Mas não sem antes de dizer que, nos últimos 10 anos a TAP conseguiu reduzir a dívida de 1,4 mil milhões para (mil milhões?) recorrendo apenas a capitais próprios.

(7:12) - "Esta dívida é assumida pelos compradores?". Resposta -"Esta dívida é assumida pela TAP, SGPS, portanto não é transferida para o Estado com eu vi veiculado..." Como não? Daquilo que é público; O Estado tem 100% da TAP, SGPS e vai vender 61% ficando na sua posse os restantes 39%, que é aliás tema para dizer que quando vender encaixará mais dinheiro, mas se o Estado tem 39% da TAP, SGPS e esse mesmo grupo vai assumir uma futura dívida como é que não existe transferência para o Estado se ele próprio é dono de 39% do grupo?

Somos todos tolos? Ou então é nesta perspectiva, não existe transferência porque o Estado actualmente já é devedor e o que vão fazer é renegociar, mas como o Estado mantém a responsabilidade, de facto não "transfere" nada.

A parte agora compradora pode assumir a dívida toda, libertando assim o Estado mesmo este estando no capital, mas isso acresce um outro problema que já falamos a seguir.

(7:25) "Mas o Estado vai continuar a ser garantia da dívida, a funcionar como garantia da dívida?" Depois de muito se engasgar e hesitar lá respondeu "Aquilo que está estabelecido é que passa a ser... continua a ser da responsabilidade da TAP, SGPS, e só em circunstâncias absolutamente extraordinárias, e que passariam aliás pela reversão do negócio, se poderia pôr a hipótese de o Estado funcionar como o garante de uma parte ainda assim muito pequena da dívida." Do outro lado surge a pergunta "Que parte?" com a resposta "Uma parte relativamente pequena". Este assunto morre aqui mas a entrevista prossegue.

Sabemos que estamos a falar da TAP mas não era preciso voar tão alto e mesmo assim não responder a uma pergunta de sim ou não. No voo ficamos sem perceber saber se é ou não garantia, e se o ministro sabe onde está a dívida afinal ou do que está sequer a falar. Mas o melhor ainda está para vir quando voltamos ao início da entrevista.

Pires de Lima garante que o Estado encaixará 338 Milhões€ em dinheiro, que entra directamente na companhia aérea e por meio de uma injecção de capital. "269 Milhões€ no fecho contratual e depois mais 68 Milhões€ ao longo de 2016."

Até aqui tudo muito certo. Errado, porque a conta está errada, a soma dá 337 milhões e por isso falta 1 milhão algures nestas contas ministeriais e para dar mais credibilidade à coisa já se tinha enganado quando disse 50 milhões em vez de 68. Nem com a correcção as contas batem certo, tal não é o rigor aplicado. Se dúvidas existirem é só ver a entrevista. Ninguém deu por nada e está reproduzido em jornais.

Eles afirmam que o Estado não fica titular da dívida da TAP, embora se mantenha como negociador da mesma. Qual é razão para estarem a negociar uma dívida que já pertence, segundo eles, a privados? Aqui entra outro pressuposto que eles não falam e o problema que escrevemos em cima; O bancos têm que autorizar a reestruturação e também aceitar a transferência da titularidade desses empréstimos.

Traduzindo, deixam de ter a garantia Estatal e passam só a ter a garantia dos privados. Só quem não conhece os bancos e as manobras deles é que acha isto possível. Os bancos aceitam a transferência desde que o Estado fique como avalista, ou seja, passa de uma responsabilidade activa para passiva, que é confirmado pelos Pires de Lima quando disse que o Estado poderia vir a que ter pagar. É isso que os fiadores fazem, pagam quando o titular do empréstimo não paga. Responsabilidade activa ou passiva o certo é que vai continuar ser introduzida nalguma rubrica no Orçamento do Estado. Toda ou pouca? Veremos. (Depois desta renegociação com os actuais credores da TAP, o Económico sabe que é de admitir que o Estado venha a manter responsabilidade solidária de parte da totalidade dos 800 milhões de euros de dívida bancária.)

Se ainda existirem dúvidas, relembramos que o Estado está só a vender 61%, por isso e pelo menos até vender, 39% da dívida é responsável de certeza e isto se formos optimistas ao ponto de pensarmos que os bancos abdicam da garantia Estatal em 61% da dívida.

O que eles também não dizem é que qualquer privatização da TAP por exemplo, só ocorre apenas se os bancos quiserem, porque sem a autorização deles nada feito, e autorização é fazer novos contratos com as condições em que eles sentem confortáveis, não se consegue privatizar dado que os compradores não conseguem assumir o controlo das contas bancárias das empresas do grupo por exemplo. Podem procurar outros bancos mas o problema mantém-se.

Mas não existe nada a recear ou a temer porque ele próprio, o ilustre Ministro da Economia já disse que se isso acontecer o processo de privatização é revertido. Dá ideia que ele estala os dedos e tudo o que foi feito pelos novos donos (bom e mau especialmente) é desfeito e fica tudo igual como está. Esta garantia ou segurança seria hilariante senão fosse tão mágica. Em relação ao valor actual do passivo ninguém sabe muito bem, assim dá sempre lugar a futuras surpresas não é verdade? (Entre 800 milhões e 1, 05 milhões?, só o HUB cobre o "passivo" da TAP)

Só podemos contabilizar a liquidação da dívida como parte da operação de venda quando esta for integralmente liquidada, ou à medida que vá sendo amortizada no serviço da dívida. Aí sim, saberemos que o Estado não a pagou e por conseguinte considera-se a liquidação feita pelos novos donos como pagamento por conta da venda, ou seja acresce aos 10 milhões€ entregues.

Até lá a TAP foi vendida por 10 milhões€ porque a dívida, essa malfadada, continua na esfera do Estado devido à fiança. O mesmo se aplica à tal injecção de 338 ou 337 milhões, no final de 2016 podemos ou não somar esse valor aos 10 Milhões€.

Mas isto leva a outro problema enorme, se tudo correr como contam temos este cenário; Pagam o passivo (800 milhões?) + Injecção (338/337 milhões). A soma disto nunca dá os valores que o Governo diz que pode vir a ser valor de venda total da TAP. E ainda não temos aqui os restantes 39% nem os 10 milhões€. Será que o Ministro aproveitou a boleia dessa injecção (que era a necessária como diziam) para dizer 'e ainda vamos receber mais isto?' Se calhar aproveitou.

Governo disposto a “pagar” 500 milhões para vender o Grupo TAP. Demasiado populista? Não, nem por isso se soubermos qualquer coisa de empresas. O governo sempre quis vender todo o grupo, M&E Brasil incluída. Para isso está disponível para transformar em capital as centenas de milhões de empréstimos de forma a limpar o passivo. E esta forma de amortizar o tal passivo alguém se preocupa? Ou é assim que vamos ver os 337/338 milhões€ em "dinheiro a entrar"? Caso faça isso, reflecte no valor do preço(venda) do capital total que aumentou ou é outra oferta camuflada?

➽ 5) COMPRADORES

Humberto Pedrosa controla 50,1% do consórcio Gateway, aliado ao dono da transportadora aérea brasileira Azul, David Neeleman, que detém 49,9%. Juntos, são agora os donos de 61% da TAP.

Humberto Pedrosa é Presidente do Grupo Barraqueiro, os transportes rodoviários são o principal ramo de negócio do Grupo. Quando olhamos para lá encontramos uma empresa que nem a sua frota de autocarros consegue renovar convenientemente (em muitas zonas deste País quem usa sabe), que no último relatório e contas, referente a 2013, apresenta um resultado positivo de 2,3 milhões de euros, um recuo face aos quase três milhões conseguidos no ano anterior e com um volume de negócios de 349 milhões aproximadamente.

Pedrosa também detém 49% da Rede Nacional de Expressos, a E.V.A. Transportes, a Frota Azul, a Rodoviária de Lisboa, a Rodoviária do Alentejo, entre outras. Possui o negócio das concessões de transportes ferroviários de passageiros, como a Fertagus, o Metro Sul do Tejo e o Metro do Porto.

Volume negócios TAP: 2,8 mil milhões de euros
Volume negócios Barraqueiro: 349 milhões

A diferença de valores e do tipo de negócio que estamos a tratar entre a TAP e o Grupo Barraqueiro roça o abismal mas calma porque falta ainda falar da transportadora brasileira Azul, pode ser que seja a salvação deste negócio.

Era imposição da UE ter um Europeu na negócio, aqui está um de ocasião para o David Neeleman? O génio dos negócios americano-brasileiro compra empresas de milhões por tostões para as vender por milhões a seguir (Não estamos a dizer que fará o mesmo à TAP). A sua transportadora área faz quase única e exclusivamente voos domésticos no Brasil, NADA COMPARADO COM A TAP. Os únicos voos internacionais que faz, é mesmo só para Miami e Orlando, e que por sinal até estão assinaladas como novas rotas. É só consultar o site, e com isto parece que nem a Azul safa o negócio.

Adicione-se a agravante de outra imposição da UE que é, o comprador maioritário do capital no caso de ser consórcio tem estar no negócio da aviação. E como já sabemos não é isso que acontece, e se não é isso que acontece, como é que ganhou se não cumpre critérios? Começamos logo com um incumprimento, qualquer dia estamos a pagar a dívida. Se for sozinho tem obrigatoriamente que estar no ramo.

Comprar uma companhia aérea não é comprar activos e passivos apenas. É comprar direitos de utilização de aeronaves, certificados de operações, etc, na realidade o interesse de quem compra a TAP não é se a empresa dá lucro ou não, estão muito mais interessados na Operação do Grupo TAP. Usam os recursos do Grupo com recursos financeiros de outras empresas essas sim lucrativas. (Asset Stripping)

E para finalizar, os novos donos da TAP só garantem sede em Portugal e rotas estratégicas por dez anos. Não vão existir despedimentos nos próximos 3. Quem condena? Se é privado é privado porque a tanga do "interesse público" só serve para as vendas, depois de estarem feitas o interesse que é tudo menos público vai procurar outra privatização qualquer para "defender".

➽ 6) ANÁLISE CONTAS TAP

Recorri às contas consolidadas e publicadas referentes a 31.12.2014 a que qualquer cidadão poderá ter acesso. Bem sei, decorreu quase um semestre no ano de 2015 e nem tudo nele teria corrido bem. As greves certamente penalizaram as contas do primeiro semestre mas não posso pronunciar-me sem o respectivo balancete contabilístico que não foi nem será disponibilizado ao cidadão.

O preço de venda da TAP por 10 milhões de euros; a situação líquida negativa na ordem dos 500 milhões de euros; a recapitalização num valor de mais de 350 milhões de euros; e a dívida bancária de 1.006 milhões de euros, motivaram o interesse em conhecer o valor dos seus activos. Um valor curiosamente omitido por muitos, a fazer recordar o velho ditado que “quando a esmola é grande o pobre desconfia”.

Tendo por base as contas consolidadas de 2014, os activos consolidados da TAP totalizavam 1.560 milhões de euros e o passivo remunerado totalizava 1.062 milhões de euros. E nas contas não é visível qualquer reserva de reavaliação que contribuiria para um aumento do activo e uma melhoria da situação líquida.

A composição dos activos inequivocamente contraria a visão catastrófica que alguns têm da empresa. No final do ano de 2014 a TAP tinha disponibilidades “ caixa e bancos” que totalizavam 241 milhões de euros. As dívidas de clientes totalizavam 147 milhões de euros e as existências/inventários o valor de 97 milhões de euros.

No passivo para além do bancário existiam dívidas a fornecedores de 141 milhões e o restante passivo era constituído por diferimentos, impostos diferidos, provisões, documentos pendentes de voo e outras contas a pagar. Aliás, os documentos pendentes de voo passaram de 365 milhões de euros em 2013 para 304 milhões de euros em 2014.

Na conta de exploração consolidada constatamos que a TAP facturou em 2014 o montante de 2.698 milhões de euros, mais 10,8% que em 2013. Os gastos com pessoal totalizaram 579 milhões de euros e representam 21,4% da facturação. Os juros suportados totalizaram 85 milhões de euros e representam 3,1% da facturação. Estes números não traduzem nem excesso de pessoal, nem inadequado endividamento. Outros números há na estrutura de custos que assumem maior relevância, como os FSE, a ultrapassarem os 63% da facturação em 2013 e a agravaram-se 4% em 2014, mas sobre estes nada posso adiantar por manifesta falta de elementos, estes mais a alcance das auditorias, bem como seria tão interessante conhecer quais são os derivados financeiros que provocaram em 2014 um prejuízo de 57 milhões de euros. Apesar do prejuízo do exercício apresentado os meios libertos pela actividade da empresa foram positivos.

Há uma coisa curiosa de que ainda não me tinha lembrado. Quando há aumento de capital, ou os accionistas acompanham o aumento ou perdem quota. Ora, se o privado vai meter 350 milhões na empresa e o estado ainda fica com 39%, então ou estado acompanha e mete dinheiro na empresa ou, simplesmente, dá de borla a sua participação.

➽ Em suma.

- Os ruinosos mas milionários negócios da (Portugália?) e no Brasil foram realizados em 2006 e 2007 mas mesmo assim a TAP conseguiu lucros acumulados de 180 milhões no quatriénio 2009-2013

- Do HUB pouco se fala

- A TAP foi vendida por 10 Milhões de Euros. Se amanha o consórcio pagar um euro dessa dívida, teremos 10 milhões e um euro como resultado da venda.

- Os compradores são os que são. Uma das mais conceituadas companhias áreas do Mundo está assim entregue ao consórcio em que um trata de camionetas e excursões em Portugal e no Estrangeiro enquanto o outro tem uma empresa de aviões fundada em 2008 que praticamente não sai do Brasil. (Recordemos a TAP; A Rede da TAP cobre 82 destinos, em 35 países, com a operação de 2.500 voos semanais em média.) A proposta como foi aprovada nem requisitos europeus cumpre.

E as coisas não ficam por aqui, muitos mais pontos existiam a debater mas as conclusões do que foi exposto, essas, cabe a cada um. Tudo o que aqui foi escrito pode ser verificado, excepto o valor do HUB. Mas mesmo a ser ignorado (o valor, não o activo) temos motivos de sobra para perguntar muita coisa...

Pensavam que tínhamos acabado? Quase que acabávamos, e se vos dissermos que o Grupo Barraqueiro também representa interesses alemães através da Arriva (detém pelo menos 31,5% do Grupo Barraqueiro SGPS) que por sua vez é detida pela Deutsche Bhan (Deutsche Bahn – Arriva) sendo esta detida pela República Federal da Alemanha. A Arriva era Britânica e foi comprada por 1,6 mil milhões de libras em 2010 (1,8 mil milhões de euros).

➽ E é melhor acabarmos por aqui porque já está a maçar muito. Como diria um velho mestre, "Isso são negócios, são sempre tudo grandes negócios, são é sempre grandes negócios à custa dos meus irmãos Portugueses."


Redacção RiseUP Portugal
-----------------------------------------------------------------------------------
Intrevenção de Raquel Varela no programa 
Barca do Inferno de 15 de Junho de 2015 - RTP Informação.




 
Transportadora Área Azul
- http://www.voeazul.com.br/

Grupo Parpública / Principais Participações
- http://www.parpublicasgps.com/files/ParpublicaMaioritarias01082013.pdf

ENTREVISTA A ANTÓNIO PIRES DE LIMA
- http://www.tvi.iol.pt/programa/jornal-das-8/53c6b3903004dc006243d0cf/videos/--/j8--videos/video/557aaac80cf242fb9505a557/1

A dívida não fica no Estado mas este mantém-se como negociador da mesma. A dívida da TAP era de 1,2 mil milhões no final de 2014. (Económico)
- http://economico.sapo.pt/noticias/como-david-neeleman-ganhou-a-tap_220813.html

Dívida da TAP não vai sobrar para o Estado, garante Sérgio Monteiro
-http://www.rtp.pt/noticias/economia/divida-da-tap-nao-vai-sobrar-para-o-estado-garante-sergio-monteiro_a832736 (RTP)

Económico
Depois desta renegociação com os actuais credores da TAP, o Económico sabe que é de admitir que o Estado venha a manter responsabilidade solidária de parte da totalidade dos 800 milhões de euros de dívida bancária.
- http://economico.sapo.pt/noticias/estado-pode-desfazer-negocio-da-tap-se-tiver-de-pagar-divida-bancaria_220874.html

Público
Solução passa por transformar em capital os empréstimos concedidos ao longo dos anos pelo grupo para cobrir os prejuízos da M&E Brasil. São cerca de 500 milhões de euros, apurou o PÚBLICO, que servirão para equilibrar as contas da subsidiária, limpando o passivo.
- http://www.publico.pt/economia/noticia/governo-vai-incluir-negocio-deficitario-no-brasil-na-privatizacao-da-tap-1670401

Governo disposto a “pagar” 500 milhões para vender o Grupo TAP
- http://www.transportesenegocios.pt/2014/09/22/governo-disposto-a-pagar-500-milhoes-para-vender-o-grupo-tap/

Estado liberta-se da dívida da TAP, garante Pires de Lima
"Só em condições absolutamente excecionais – se a propriedade da empresa fosse revertida – é que o Estado poderia funcionar como garante de uma parte da dívida”
- http://observador.pt/2015/06/11/estado-liberta-da-divida-da-tap-garante-pires-lima/

Financiamento do Estado à TAP não é impossível. Mas tem um preço
- http://observador.pt/2015/01/15/financiamento-estado-tap-nao-e-impossivel-mas-tem-um-preco/ (Aqui falam em desmantelamento da TAP como preço a pagar mas como se pode constatar a empresa pode resistir a essas pressões se tiver interesse nisso e injectar dinheiro. Operação Parpública)

Público
“Se comprar a TAP, a Globalia não irá mudar o hub de Lisboa para Espanha” "E a localização do aeroporto de Lisboa, onde a TAP tem o seu hub, é imbatível nas ligações entre a Europa e a América Central e do Sul. É um activo muito importante. (2014)
- http://www.publico.pt/economia/noticia/se-comprar-a-tap-a-globalia-nao-ira-mudar-o-hub-de-lisboa-para-espanha-1675696
 
TAP compra Portugália por 140 milhões e sem passivo (TVI24)
- http://www.tvi24.iol.pt/mundo/pga/tap-compra-portugalia-por-140-milhoes-e-sem-passivo

Dinheiro Vivo
A última injeção de capital foi de 100 milhões e está a ser paga com 8 % de juros ao Estado, em vez de 6% se fosse contraído um empréstimo na banca:
- http://www.dinheirovivo.pt/Imprimir.aspx?content_id=3896661
 
Diários da República - Resolução 131-A/97, de 9 de Agosto
...recentemente, de uma ajuda do Estado, excepcionalmente autorizada pela União Europeia, e que representa um encargo de 180 milhões de contos para os contribuintes.
- http://dre.tretas.org/dre/84658/

As duas privatizações da TAP
- http://www.naotaposolhos.com/?cat=4&paged=5

TAP comprou a empresa brasileira VEM sem aval das Finanças
- http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=4180616
 
TAP: PGR investiga negócio com Stanley Ho no Brasil (TVI24)
- http://www.tvi24.iol.pt/economia/aviacao/tap-pgr-investiga-negocio-com-stanley-ho-no-brasil

Público
Desde 1997 que Estado não injecta dinheiro, por limitação comunitária.
- http://www.publico.pt/economia/noticia/novas-ajudas-financeiras-a-tap-estao-impedidas-por-bruxelas-1376613

Notícias ao Minuto
Investigada compra de brasileira VEM pela TAP sem aval do Fisco
- http://www.noticiasaominuto.com/economia/290624/investigada-compra-de-brasileira-vem-pela-tap-sem-aval-das-financas

História e crescimento do Grupo ARRIVA
- http://www.arriva.pt/sobre/historia-e-crescimento-do-grupo-arriva/

Deutsche Bahn compra Arriva por 1,6 mil milhões de libras
- http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/deutsche_bahn_compra_arriva_por_16_mil_milhotildees_de_libras.html
 

Sem comentários:

Enviar um comentário