07/10/2015

As Bolandas especulativas no Mercado de Futuros


O petróleo, para a nossa civilização, ainda hoje é a matéria-prima mais essencial, em termos energéticos e químicos. 
Logo a necessidade da sua produção, comercialização e consumo é permanente. Mas o seu consumo não traz só benefícios económicos, sociais e civilizacionais; durante o processo de comercialização, é origem de grandes lucros financeiros, para aqueles que têm a capacidade e o conhecimento de especular com ele. 
Tente-se acompanhar o esquema, que tem proporcionado retornos rápidos de investimento de capitais às grandes companhias e aos brokers, grandes lucros especulativos, através da imposição de preços de mercado artificialmente elevados.
Suponha-se que um broker adquire ao produtor um carregamento de petróleo de um milhão de barris, a 90 dólares USD o barril, a entregar em determinado local dai a seis meses. Paga um sinal de 9 USD por barril, e fica com um título nas mãos, instrumento especulativo essencial. O que é que ele precisa? De esperar? Não! De notícias, boas ou más, e reagir de acordo com o modo como essas noticias previsivelmente influenciam o mercado.
Se forem das boas: género, uma guerra que possa afectar previsivelmente a capacidade produtiva; os stocks petrolíferos americanos estarem abaixo do nível desejado; grandes tempestades terem destruído entretanto uns petroleiros! Seja o que for, mesmo que falso ou meio-verdadeiro, desde que afecte previsivelmente o fornecimento, pode ser motivo de indução especulativa segura, pois a cotação do produto sobe. Por exemplo para 100 USD o barril. Nesse caso o citado broker vai ao mercado e vende o título que possui, que garante a compra por 90 USD o barril, com um ganho potencial para o comprador de 10 USD por barril, no fim do contrato. Ao broker só lhe interessa ganhar dinheiro com a opção, pois fica livre de riscos futuros; vende-a por 10 USD, e ganha um dólar, vezes um milhão de barris, o que totaliza um milhão de dólares. Não está mal, para quem nem chegou a ver o navio, quanto mais o petróleo.

Quem adquiriu, terá um ganho potencial de 10 milhões de USD, caso a cotação se mantenha, até ao petroleiro chegar ao porto de destino. Mas pode acontecer, que apareça nesse espaço de tempo uma má noticia, do género o Irão tem stocks enormes à espera de comprador, ou o inverno nos EUA não vai ser tão rigoroso como se previa, ou um conflito armado localizado perto dos poços de petróleo acabou antes de começar. Aqui, o actual detentor do título, não consegue saber de antemão, se o seu lucro potencial de 10 Milhões de USD está garantido; resta-lhe jogar pelo seguro e vender de imediato ou esperar passivamente roendo as unhas.
Se vender terá duas opções: vender pura e simplesmente perdendo o menos possível, ou em alternativa vender com acordo de recompra. Na primeira situação, realiza uma menos-valia na venda da opção. Por exemplo vende a opção por 9,5 USD o barril, perdendo 0,5 milhões USD, na especulação, e livrando-se do risco de a cotação do petróleo descer abaixo dos 90 dólares o barril. Na segunda situação vende e simultaneamente dá ordem de compra da opção, se ela descer abaixo de determinado limite. Poderá perder no imediato os 0,5 Milhões USD mas caso desça abaixo de determinado nível, poderá reaver a opção a um preço maís acessível. E vir a recuperar a perda mais tarde, caso a cotação não desça abaixo do preço firme contratado no título.
Em caso de descida de cotações, há especuladores, que nem precisam de possuir o título do contrato de futuro. O que poderá ser o caso do nosso broker, que assim faz uma operação swap de compensação de possíveis perdas no negócio anterior. Como tem informação suficiente, e tem a certeza que as cotações vão descer, ganha dinheiro com a descida das cotações, através de vendas a descoberto. Vende o título hoje, no caso, uma opção de um futuro, sem ter qualquer título na sua posse, e dá ordem de compra desse título por um preço mais baixo, dois ou três dias depois. O lucro especulativo continua a ser a diferença entre o preço de venda e o de compra, apenas a sucessão das operações é invertida. São estas operações que por vezes forçam descidas em cadeia pronunciadas das cotações.
Entretanto o navio chegou ao porto de destino para descarregar. O proprietário final do título, terá de pagar os 90% remanescentes ao produtor, e vender no mercado á cotação da altura, com lucro ou eventual prejuízo.
Neste período de tempo, as cotações foram artificialmente empoladas ou reduzidas conforme os interesses especulativos. E como as cotações do mercado secundário influenciam directamente as do mercado primário o preço do petróleo sobe ou desce na origem, sem que os custos de produção variem, ou a variação dos stokes de petróleo o justifique. Simplesmente por obra e graça da mafia especulativa.
Adivinham, quem paga a brincadeira? Os países, as empresas, as pessoas comuns, quando consomem.

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