30/06/2016

Wikileaks: FMI apanhado a planear nova bancarrota na Grécia

A conversa revelada pelo Wikileaks aconteceu a 19 de março e é a transcrição de uma teleconferência entre Poul Thomsen (diretor do FMI para a Europa) e Delia Velculescu (chefe de missão do FMI para a Grécia). Para além de defender a necessidade de um acontecimento semelhante ao default grego de 2015, Thomsen propõe confrontar Angela Merkel com a ameaça da saída do FMI nas negociações, fragilizando-a junto da sua base parlamentar, para obter em troca a luz verde para a restruturação da dívida da Grécia.

Os dois responsáveis do Fundo mostram-se insatisfeitos com as negociações em curso e tentam desenhar uma estratégia que obrigue a Comissão a aceitar as metas de redução do défice grego propostas pelo FMI, que obrigam a uma dose suplementar de austeridade sobre a Grécia, muito para além da prevista no acordo assinado em julho.

Rapidamente Thomsen e Velculescu concordaram que tal só será possível se se repetir um acontecimento como o do passado mês de junho, com o país a ser obrigado a suspender os pagamentos aos credores. Na opinião dos dois responsáveis do Fundo, esta nova bancarrota grega obrigaria Berlim e Bruxelas a agirem em vez de prosseguirem as intermináveis negociações que recomeçam esta semana, antevendo uma Europa paralisada politicamente em maio por causa a campanha do referendo britânico.

O primeiro-ministro grego convocou uma reunião de emergência com alguns ministros sobre esta revelação e pediu explicações a Christine Lagarde, nomeadamente se aquela é a posição oficial do FMI. Para o governo grego, as condições de credibilidade e confiança nas negociações com o FMI estão agora prejudicadas.

Também o presidente grego, Prokopis Pavlopoulos, reagiu à divulgação da reunião dos responsáveis do FMI, exigindo que o Fundo seja substituído nas negociações pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade.


FMI e Comissão Europeia nunca se entenderam sobre o plano para a Grécia

 

O FMI sempre pôs como condição para entrar no programa de financiamento à Grécia uma solução para a insustentabilidade da dívida grega. Mas a restruturação da dívida foi desde sempre um tabu para Berlim, a menos que a Grécia saia do euro, como chegou a propor Schäuble na reunião de Bruxelas que acabou por resultar no terceiro memorando ainda em negociação. Para convencer Merkel a aceitar a restruturação, Thomsen sugere confrontá-la com a ameaça de saída do FMI do programa de financiamento à Grécia, uma situação que a maioria do parlamento alemão não iria aceitar.

A restruturação da dívida é um dos objetivos assumidos também pelo governo grego desde a sua primeira eleição, mas as condições que o FMI procura impor ao país – na linha da austeridade que já impôs nos últimos anos e destruíram a economia grega – são recusadas desde sempre por Atenas. Alexis Tsipras nunca escondeu o desejo de ver o Fundo fora da gestão do programa, propondo uma alternativa 100% europeia.

fonte : Infogrécia

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