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05/10/2026

Documentário NAZA – O que vimos

Este documentário causou a raiva nos mais altos quadros políticos e militares israelitas e, depois de o vermos, percebemos exatamente porquê.

Baseado nos depoimentos anónimos de 24 oficiais e soldados dos próprios serviços de inteligência do país, o filme revela como a Inteligência Artificial e a vigilância em massa transformaram o assassinato de civis numa fria métrica de eficiência estatística.

1. O que quer dizer "NAZA"?

NAZA (Nezek Agavi) é o acrónimo militar em hebraico para "dano colateral". Trata-se da cota numérica que estipula quantos civis palestinianos a liderança militar aceita matar conscientemente para eliminar um único alvo. Ou seja, como o termo “dano colateral” popularizado pelos Estados Unidos faz, dizermos "NAZA 50" evita dizer 50 civis inocentes, 50 pessoas que só vão ali a passar, ou mesmo 50 crianças. "NAZA 50" é menos pessoal e nem parece crime de guerra.

As revelações destes operacionais israelitas demonstram que essas margens perderam qualquer senso de proporcionalidade exigido pelo direito internacional. Enquanto para militantes de baixo escalão a cota aceitável girava em torno de "20 NAZA" (até 20 civis mortos por um único alvo), o filme expõe que o comando militar autorizou tetos absurdos de "500 NAZA" para assassinar um único comandante sénior. Na prática, o exército assinou ordens de bombardeamento sabendo de antemão que estaria a dizimar o equivalente à população de uma pequena vila de inocentes para alcançar um único homem.


2. Morrer por sistema de pontos

A seleção desses alvos abandonou os métodos tradicionais de espionagem humana para adotar uma escala industrial através do Lavender, um software baseado em Inteligência Artificial. O Lavender monitoriza ativamente os dados de telecomunicações de toda a população de Gaza e atribui a cada indivíduo (neste caso, a cada telemóvel que a pessoa leva consigo) uma pontuação com base na probabilidade de pertencer ao Hamas.

Os critérios de pontuação operam numa lógica perigosa quando se está a falar em bombardear seres humanos numa zona de alta densidade populacional. Estar num grupo de WhatsApp que inclua um suspeito também identificado por este sistema, ter na sua agenda de números de telefone um determinado número de certa pessoa guardado, cruzar caminhos geograficamente com um alvo demarcado, passar numa rua a determinadas horas, ou algo tão simples descrito no filme como ir a uma determinada padaria, eleva a pontuação da pessoa. Uma vez atingido o limite estatístico da máquina (ter um determinado número de pontos), o indivíduo entrava numa lista automatizada de execução.

Os oficiais humanos que operavam o sistema funcionavam como meros carimbos de validação na aprovação do alvo, sem realizar qualquer verificação aprofundada dos dados brutos gerados pela IA.

3. UPS … Se calhar enganei-me …

O documentário joga luz sobre a perigosa ilusão de infalibilidade vendida pela tecnologia de guerra. Confiar que meta dados dos telemóveis definem quem é um combatente repete um erro metodológico trágico da história militar recente.

Há um paralelo histórico perfeito com as operações dos EUA no Afeganistão. Nos anos 2000, a inteligência americana descobriu que membros da Al-Qaeda utilizavam o relógio digital barato Casio F-91W para fabricar detonadores de bombas. 

Rapidamente, o exército norte-americano apontou a posse desse relógio — um dos modelos mais vendidos do planeta — como indicador de terrorismo. 

O resultado foi o sequestro, a venda por recompensas e a tortura em massa de dezenas de civis inocentes na prisão de Guantánamo pelo simples facto de usarem um relógio.

Em Gaza, ao automatizar os alvos com base em cartões SIM e padrões de rede — ignorando uma taxa de erro assumida pelos próprios responsáveis israelitas de 15% —, Israel repete a mesma falha estrutural, porém numa escala letal infinitamente maior.

4. "Where's Daddy?": Quando e onde atacar

Uma das passagens mais estarrecedoras de NAZA desconstrói categoricamente o argumento retórico oficial de que as baixas civis ocorrem porque o Hamas utiliza a população como "escudo humano".

Os depoimentos provam o exato oposto: a própria Inteligência das Forças de Defesa de Israel (IDF) estruturou um programa chamado "Where’s Daddy?" (Onde está o papá?) feito especificamente para identificar onde os alvos moram.

Utilizando a geolocalização nos telemóveis para mapear o local exato onde o telemóvel do suspeito permanece imóvel durante o horário de sono na maioria das ocasiões (ou seja … onde dorme à noite), o algoritmo pretende assim identificar a sua residência familiar. 

Esta informação permite perceber qual o local mais provável de um determinado alvo estar a uma determinada altura. 


Assim, os ataques residenciais noturnos tornaram-se a primeira opção militar por pura conveniência logística e económica.

Segundo os próprios operadores, algo como o facto de um dos telemóveis que estão em casa naquele momento mandar um simples SMS como “Mãe, o pai já chegou”, faz disparar o alarme.

Mais chocante ainda é o relato sensorial dos operadores: através das intercetações do áudio do telefone hackeado do alvo, ou seja, a ouvirem o alvo em casa, os elementos das equipas da inteligência relatam que escutavam em tempo real as vozes das mulheres na cozinha, o som da televisão ligada e o choro ou o riso de crianças na sala de estar antes de carregar no botão. 

E o bombardeamento ocorria sob plena consciência de que famílias inteiras seriam soterradas vivas. 

Numa das entrevistas um dos operadores revelou que nalguns casos, também chegou a ouvir depois do bombardeamento. Gritos, choros ou pedidos de ajuda.

5. Destruir edifícios esteja ou não lá gente

Por fim, o documentário detalha o funcionamento do sistema Habsora (The Gospel). (o nome deste sistema não é usado no próprio documentário, mas é descrito por vários artigos posteriores à estreia do filme e por isso sabemos o seu nome).

Este sistema é focado na destruição da infraestrutura urbana de Gaza e não em indivíduos, e opera com uma métrica de esvaziamento. Ou seja, o sistema valida o bombardeamento de edifícios se for determinado que uma certa percentagem dos seus moradores ou habituais ocupantes não se encontra lá. Segundo os próprios operadores israelitas, a todos os edifícios em Gaza foram atribuídos um número de código para facilitar a sua identificação.

Quando o alvo é um edifício e não um alvo humano, não falamos em NAZA 10, NAZA 20 ou NAZA 50. Aqui falamos em percentagens. Se o edifício chegar a um mínimo de 25% da sua habitual ocupação, a ordem é dada para o destruir. 

Assim, num edifício onde regularmente se encontrem 40 sinais de telemóvel, se forem detetados 10, bombardeia-se e destrói-se, independentemente de quem lá esteja, de se encontrar ou não um único alvo identificado no sistema explicado anteriormente, e independentemente de que tipo de edifício seja (talvez agora estejam melhor explicados os bombardeamentos a escolas, hospitais, etc). A regra funciona com edifícios de todo e qualquer tamanho, todo e qualquer número habituais ocupantes. Aqui o que conta é a percentagem.

Os próprios operadores entrevistados argumentam que essa destruição massiva de edifícios com base em dados de localização de telemóveis esconde uma tática deliberada de engenharia demográfica: tornar regiões inteiras de Gaza completamente inabitáveis.

Ao pulverizar bairros residenciais inteiros sob o pretexto de "limpar alvos", destrói-se o tecido urbano e as condições básicas de vida, garantindo estrategicamente que a população palestiniana deslocada nunca mais tenha lares para onde retornar.

É assim este, o exército mais moral do mundo segundo Benjamin Netanyahu, descrito pelos seus próprios operadores israelitas.

O cinema documental cumpre, historicamente, o papel de furar as bolhas da propaganda estatal em tempos de guerra. No entanto, poucos filmes na história recente carregam o peso demolidor de "NAZA", longa-metragem dirigida pelos jornalistas israelitas Yuval Abraham e Rachel Szor. Ovacionado de pé por 25 minutos no Festival de Cinema de Veneza, onde conquistou o Prémio Especial do Júri, a obra gerou fúria imediata no escalão político de Israel, com ministros a classificar os autores como "traidores".

Este é um documentário difícil de ver, mas aconselhamo-lo vivamente e é um documento histórico. Está neste momento nos cinemas e os autores dizem que o vão colocar de forma gratuita na internet.

RiseUp Portugal



09/09/2026

THE BIBI FILES — Documentário Completo em Português

O documentário The Bibi Files, cuja exibição foi bloqueada em Israel, nasceu de uma fuga de informação sem precedentes que abalou os alicerces políticos do país.

Tudo começou quando um intermediário, cuja identidade permanece desconhecida, contactou jornalistas e realizadores através da aplicação Signal, alegando ter na sua posse gravações confidenciais dos interrogatórios policiais de Benjamin Netanyahu, da sua família e de várias figuras centrais dos processos de corrupção que envolvem o primeiro-ministro israelita. O material, enviado de forma encriptada e impossível de rastrear, revelou-se autêntico. O que continha era explosivo: dezenas de horas de interrogatórios e depoimentos oficiais provenientes de uma fuga inédita de informação do sistema judicial israelita.

Desde o início, Netanyahu e a sua equipa jurídica procuraram impedir que o documentário visse a luz do dia. Houve ameaças judiciais, tentativas de bloqueio da distribuição e forte pressão sobre produtores, jornalistas e plataformas de streaming. Parte da equipa acabou por prosseguir o trabalho fora de Israel, onde o filme pôde ser concluído e exibido.


O resultado é uma das obras documentais mais controversas e politicamente sensíveis da história recente de Israel. 

Baseado em gravações reais e inéditas, The Bibi Files acompanha os bastidores de uma das mais longas investigações de corrupção alguma vez conduzidas no país e oferece um raro olhar sobre os mecanismos do poder, as lealdades quebradas e as fissuras que se abriram no círculo mais próximo de Netanyahu.

As imagens, gravadas entre 2016 e 2018, mostram Benjamin Netanyahu, a esposa Sara, o filho Yair e vários aliados próximos a serem interrogados pela polícia em processos relacionados com suspeitas de suborno, fraude e abuso de confiança. O material chegou aos jornalistas através desse canal clandestino e acabou por constituir a espinha dorsal do documentário.

Entre os interrogados encontram-se algumas das figuras mais influentes da sociedade israelita: magnatas dos meios de comunicação, empresários de relevo, produtores de cinema e proprietários de grandes grupos económicos. É precisamente nas salas de interrogatório, despidas de qualquer encenação, que o documentário atinge os seus momentos mais impactantes. Confrontados com provas documentais, presentes de elevado valor e alegadas trocas de favores, vários dos envolvidos acabam por confirmar encontros, conversas e benefícios concedidos ao círculo de Netanyahu.

Entre as revelações mais marcantes surgem os luxuosos presentes recebidos pelo casal Netanyahu, incluindo charutos, champanhe, jóias e estadias em hotéis de luxo, alegadamente oferecidos em troca de acesso privilegiado e influência política. O documentário aborda igualmente as negociações entre Netanyahu e proprietários de órgãos de comunicação social, onde alegadamente foram discutidas alterações legislativas e regulatórias em troca de cobertura mediática favorável. Estes episódios estão no centro dos chamados Casos 1000, 2000 e 4000, que sustentam as acusações formais de corrupção apresentadas contra o primeiro-ministro.

O filme revela também aspectos do comportamento dos próprios protagonistas durante os interrogatórios. Netanyahu surge frequentemente cauteloso e evasivo, recorrendo repetidamente a respostas como "não me lembro" ou "não sei" perante questões concretas. Sara Netanyahu aparece em vários momentos visivelmente irritada, acusando os investigadores de parcialidade. Já Yair Netanyahu adopta uma postura combativa, alegando a existência de uma conspiração política e mediática contra o pai.

Embora a divulgação destas gravações seja ilegal em Israel, o documentário rapidamente ultrapassou fronteiras. As tentativas de impedir a sua exibição acabaram por aumentar a curiosidade pública e o interesse internacional. O filme adquiriu um estatuto quase mítico, tornando-se um dos documentos audiovisuais mais discutidos da política israelita contemporânea.

Mas The Bibi Files não é apenas um documentário sobre corrupção. É também um retrato do funcionamento do poder, da influência das elites políticas e económicas e da fragilidade das instituições quando confrontadas com líderes que concentram uma influência extraordinária durante décadas.

Ao longo das suas duas horas de duração, o filme desmonta a imagem do líder incontestável e apresenta um Netanyahu pressionado pelas investigações, confrontado por testemunhos de antigos aliados e obrigado a responder a um conjunto de acusações que continuam a marcar profundamente a vida política israelita.

Mais do que uma investigação criminal filmada, The Bibi Files é um documento sobre poder, lealdade, influência e responsabilidade política. Independentemente da posição de cada espectador sobre Netanyahu, o filme oferece um olhar raro sobre os bastidores de um dos processos mais importantes e controversos da história recente de Israel.
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The Bibi Files - (legendas PT-PT)
https://drive.google.com/.../1lu32mTivyces8xASwddtPxicpj.../

Publicado e legendado por Tozé Manuel
https://www.facebook.com/share/1aaswB8zji/

11/09/2017

11 de Setembro: A Grande Farsa (RTP 2 - Completo)

Na manhã de 11 de Setembro de 2001, 19 homens armados com x-actos foram orientados por um homem em diálise, que habitava numa caverna-fortaleza do outro lado do mundo, e que usou um telefone via satélite e um computador portátil para dirigir a mais sofisticada penetração no espaço aéreo mais bem defendido de todo o planeta. 


Dominaram os passageiros e os pilotos com treino militar de defesa pessoal em 4 aviões comerciais antes de os voar descontroladamente fora da sua rota normal durante uma hora sem serem perturbados por um único caça interceptador. 

Estes 19 sequestradores devotados fundamentalistas religiosos, que gostavam de beber álcool e snifar cocaina, e de morar com strip-teasers de cabelo cor-de-rosa, conseguiram derrubar 3 edificios com 2 aviões em Nova York. Enquanto em Washington um piloto que não conseguia dominar um simples Cessna (avioneta) foi capaz de descer 8 mil pés de altitude numa curva de 270 graus e ao nivel do solo atingir o Pentágono directamente no escritório dos analistas de orçamento onde funcionários trabalhavam no mistério do desaparecimento de 2,3 trilhões de dólares que o secretário de defesa Donald Rumsfeld anunciara em conferência de imprensa terem desaparecido dos cofres do Pentágono um dia antes, no 10 de setembro de 2001. 

A Crueldade da Tauromaquia Nua e Crua (video)

Jaime Alekos realizou um documentário intitulado Tauromaquia que mostra a realidade nua e crua das touradas.

Durante três anos Jaime Alekos percorreu várias praças de touros espanholas e filmou touradas sempre centrado na figura da vítima o touro.

O documentário apresentado ontem pelo PACMA – Partido Animalista espanhol mostra ao pormenor a violência exercida sobre os herbívoros durante as três partes da tourada (sorte de varas, bandarilhas e morte).

As imagens que se seguem são tão mas tão chocantes, que nos obrigam frequentemente a desviar o olhar, mas apesar disso, as mesmas têm que ser vistas e têm que ser partilhadas porque esta violência que os tauricidas e aficionados apelidam de arte têm que acabar de uma vez por todas.

Não podemos aceitar e muito menos consentir que em pleno século XXI ainda se continuem a permitir espectáculos tão bárbaros, brutais e cruéis onde não só são vítimas os touros e os cavalos, mas também, os carniceiros que neles participam subsidiados com o dinheiro dos nossos impostos!


Esta informação foi retirada do blogue Prótouro
Se te interessas pelos direitos animais, visita o blogue clicando neste link
Pelos touros em liberdade


13/12/2016

#Citizenfour: Cidadão Snowden

 Snowden denunciou programas de vigilância massiva dirigidos pela NSA (National Security Agency) e outras agências secretas. «Doc legendado»

A RTP transmitiu (vídeo legendado no fim), no passado dia 5, a terceira parte do documentário «CITIZENFOUR» («Cidadão Snowden»), premiado com o Nobel, cuja história começou em Janeiro de 2013, quando estando a realizadora Laura Poitras a fazer um filme sobre abusos de segurança nacional no pós-11 de Setembro nos Estados Unidos, começou a receber e-mails encriptados de alguém que se identificava como «CITIZENFOUR», que se dizia pronto a denunciar os programas de vigilância massiva dirigidos pela NSA (National Security Agency) e outras agências secretas.

Em menos de seis meses, depois de Snowden ter saído dos EUA para Hong Kong, e depois da administração norte-americana ter pedido a sua extradição sem êxito, Laura Poitras e o jornalista Glenn Greenwald, a quem Snowden confiou todos os elementos de que dispunha, trabalharam com ele meses a fio num documentário que viria a ganhar o Prémio Nobel no ano passado.

Snowden passou a Glenn e a Laura informações confidenciais da poderosa e tentacular NSA e de outras agências de inteligência, desmascarando práticas secretas de espionagem digital a milhares de cidadãos dos EUA e do mundo. Num trabalho coordenado por Glenn e pelo «The Guardian» a denúncia veio a público, provocando grande indignação e polémica. E Laura documentou em vídeo os múltiplos encontros entre Glenn e Snowden num quarto de hotel em Hong Kong, apresentando um documentário baseado neles o resultado em 2014.

Ao revelar-se há três anos ao mundo, Snowden afirmou:

«O meu nome é Ed Snowden. Há pouco mais de um mês, eu tinha família, um lar no paraíso, e vivia com grande conforto. Tinha também meios para, sem qualquer ordem judicial, procurar, avaliar e ler as comunicações de todos vós, comunicações de qualquer pessoa, a qualquer momento. E o poder para mudar o destino das pessoas.

Isso é também uma grave violação da lei. A 4.ª e 5.ª Emendas da Constituição do meu país, o artigo 12.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e inúmeros estatutos e tratados proíbem tais sistemas de vigilância pervasiva massiva. Enquanto a Constituição dos EUA define estes programas como ilegais, o meu governo argumenta que decisões tomadas por tribunais secretos, que o mundo não tem permissão para ver, legitimam, de algum modo, aquele procedimento ilegal. Essas decisões de tribunais secretos corrompem, simplesmente, as noções mais básicas da Justiça – que a Justiça, para ser feita, tem de trabalhar às claras. O imoral não pode ser transformado em moral por força de lei secreta.

Acredito no princípio declarado em Nuremberga em 1945: "Os indivíduos têm deveres internacionais que transcendem as obrigações nacionais de obediência". Portanto, cidadãos, indivíduos, têm o dever de violar leis domésticas para impedir que se cometam crimes contra a paz e a humanidade». (…).

Apesar de refugiados, de serem tratados como traidores pelos falcões que dirigem o Big Brother, a acção de Edward Snowden, de Julian Assange e da WikiLeaks tem sido de grande importância contra esta vigilância massiva que recorre a novas e caras tecnologias para manter controlados países, governos e povos.

O «The Guardian» foi o primeiro jornal a divulgar os documentos. Outros jornais de vários países do mundo seguiram-lhe o exemplo e foram divulgando, sistematicamente, a vigilância que devassa a vida de todos os cidadãos, os transforma em alvos de pressão política, chantagem e assassinato sem precedentes, atingindo também os próprios países e governos aliados dos EUA.

Edward Joseph Snowden, na altura com 30 anos, era analista de sistemas e administrador de sistemas da CIA e contratado da NSA. Vive, asilado em Moscovo há três anos, tal como o australiano Julian Assange, um dos responsáveis da WikiLeaks, jornalista e cibernauta, vive asilado há quatro anos, na Embaixada do Equador em Londres.

A actualização de dados que vão sendo extraídos da documentação em bruto e outras questões relacionadas podem encontrar-se: no «The Intercept», na Courage Foundation e no «The Guardian».

O já chamado «Arquivo de Snowden» inclui uma grande diversidade de documentos, com relevo para programas de monitorização e comunicações internas e pertencem essencialmente à NSA mas incluem também actividades de outros serviços secretos das mesmas áreas como o Government Communications Headquarters (GCHQ), britânico.

Aliás estas duas agências trabalham partilhando informações, o que permitiu a Snowden ter acesso a elas. Mas trabalham também em associação com as agências homólogas da Austrália, Nova Zelândia e Canadá (algumas das mais poderosas do planeta, conhecidas como os Five-eyes ou Cinco-olhos…), o que lhes permite ter uma visão muito ampliada das actividades de informação electrónicas. 

São múltiplos os exemplos da natureza maciça desta monitorização. Por exemplo:

• A NSA recolhe 200 milhões de mensagens de texto e imagens por dia em todo o mundo;
• O GCHQ intercepta chats de vídeo de 1,8 milhões dos utentes da Yahoo!;
• A NSA é capaz de chegar a todos os lugares de um único país;
• O GCHQ intercepta quantidades astronómicas de dados nos diversos cabos submarinos que chegam à Grã-Bretanha, sendo mesmo capaz de manter uma cópia completa dos dados por três dias.
A lógica de funcionamento da captação de dados é recolher tudo em cada vez mais suportes num «palheiro» cada vez maior para depois selecionar a «agulha», tendo um dos cérebros do GCHQ já sugerido que se captasse tudo na Internet…Há agências e empresas a transbordar desta informação mas é assim mesmo que trabalham.

Depois das revelações de Snowden, a NSA e o GCHQ desenvolveram um sistema e processo de industrialização e automatização de infeção de milhões de computadores, que a NSA é capaz de inserir para modificar programas espiões em routers americanos, dispositivos que permitem fazer transitar uma grande quantidade de comunicações através da Internet, antes de a disponibilizar. 

Com a passagem do tempo, a «porosidade» entre estes serviços secretos e empresas como a Microsoft, o Facebook, o Google, empresas de telecomunicações terrestres e marítimas foi sendo revelada, quer porque os primeiros o davam a entender quer porque as segundas, em jeito envergonhado reconheceram «acordos» entre as duas partes. O «Washington Post» revelou depois a pirataria da NSA em relação ao Google e à Yahoo!

Mas esta «porosidade» permite que a NSA exerça a sua pesada influência para enfraquecer certos padrões de encriptação dos dados, tornando potencialmente mais fácil a leitura de dados supostamente protegidos e debilitando a segurança de todos os utilizadores da Internet.
As revelações de Snowden permitiram também verificar que há governos de países como a Alemanha que prescindem de parte da sua soberania ao permitirem o acesso a dados recolhidos no seu território ou acesso a dados interceptados pelos próprios…

Outra faceta da actividade da NSA e GCHQ foi agora revelada pelo «Le Monde» que tem um acordo com «The Intercept». Supostamente a grande maioria da actividade destes serviços secretos deveria estar centrada no tráfico de armas, de drogas e de seres humanos ou na recolha de dados sobre grupos terroristas… Mas parece que não. A maioria das operações tem como alvos operadores de telecomunicações, quadros dirigentes destas e as suas actividades profissionais.

Também na investigação sobre o GCHQ no «Arquivo Snowden» o jornal francês encontrou relatórios de ensaio sobre links de satélite que transportam tráfego de internet e telefone. Na Primavera de 2009, a agência interceptou comunicações internas de duas operadoras muito activos no Médio Oriente e em África.

A «rede Zain», criada pelo GCHQ, está muito presente em África e ainda operava, à data da divulgação do «arquivo», em 2013, em quinze países, do Burkina Faso ao Níger passando pelo Uganda e pelo Chade, procedendo à vigilância de chefes de estado de vários países, incluindo José Eduardo dos Santos.
Snowden e Assange foram vítimas de perseguição, de ameaças de morte, de mentiras, estão limitados nos pequenos espaços que a solidariedade da Rússia e do Equador lhes concederam, perderam a vida familiar e o direito ao bem-estar.

Tiveram uma atitude corajosa para o bem da humanidade, ao contribuírem para que, nestes três anos, os povos de todo o mundo pudessem ter algum acesso ao conhecimento sobre o controlo total que o imperialismo procura ter sobre eles
.

por António Abreu
Abril Abril

Citizenfour (Legendado)

07/06/2016

Sementes da Liberdade - Documentário legendado em português


A agricultura global tem mudado mais na nossa vida atual do que nos dez mil anos anteriores. Mas, como toda a mudança, fez surgir conflitos de interesses. Em nenhum outro lugar esse conflito é mais pungente do que na história da semente. 

Neste filme iremos olhar como a semente tem mudado na agricultura e na nossa cultura. De um alimento sagrado e criador de vida para uma mercadoria poderosa, usada para monopolizar a produção global de alimentos. Este conflito entre agricultores e empresários, entre conhecimento e controle, entre a verdade e a propaganda, encontra-se no coração da história da semente."

Não perca este documentário, agora em português do Brasil. Um filme de Jess Philimore produzido por The Gaia Foundation African Biodiversity Network (ABN), em colaboração com MELCA Ethiopia, GRAIN International & Navdanya International.

05/06/2016

Blue Gold: World Water Wars

Em todos os recantos do mundo, poluímos, desviamos, extraímos e esgotamos exponencialmente, com o crescimento populacional e tecnológico, as nossas limitadas reservas de água potável. O desenvolvimento excessivo e desenfreado da agricultura, construção e indústria aumenta a demanda por água potável para além do suprimento finito, resultando na desertificação da Terra.

Gigantes corporativos forçam os países em desenvolvimento a privatizar o seu suprimento de água potável em troca de lucro. Investidores de Wall Street apostam em esquemas de dessalinização e exportação de grandes massas de água. Governos corruptos utilizam a água para proveitos políticos e económicos.

Emerge um controle militar da água, novos mapas geopolíticos e formas estruturais de poder, montando o palco para a guerra pela água no mundo. Seguimos inúmeros exemplos no mundo de pessoas lutando pelo básico direito à água, desde casos em tribunal, revoluções violentas, convenções da ONU para rever constituições e até protestos nas escolas. Como afirma Maude Barlow, "Esta é a nossa revolução, esta é a nossa guerra". 


Uma linha foi cruzada assim que a água se tornou uma commodity. 
Iremos sobreviver? 

Documentário de Sam Bozzo (2008), com Andres Barreda Marin, Danielle Mitterrand, Jim Olson, Maude Barlow, Michael Kravcik, Oscar Olivera, Peter Warshall, Ric Davidgeg, Robert Glennon, Ryan Hreljac, Terry Swier, Tony Clarke, Vandana Shiva, Virginia Setshed e Wenonah Hauter.