Em 2002, Durão Barroso explicou aos portugueses que «a liberalização do preço dos combustíveis até final do ano teria como efeito previsível uma descida dos preços» e acrescentou: «A concorrência normalmente funciona a favor do consumidor.» É uma frase muito bem protegida. Tem um «previsível» e um «normalmente», que são uma espécie de seguro contra a realidade. Se os preços não baixassem, a descida tinha sido apenas previsível. Se a concorrência não favorecesse o consumidor, devia ser um daqueles dias em que funciona anormalmente. Acontece. Às vezes durante vinte e dois anos seguidos.
A liberalização entrou em vigor em Janeiro de 2004 e os combustíveis deixaram de estar sujeitos ao regime de preços máximos. No final desse mesmo ano, a gasolina tinha subido 10% e o gasóleo 25%.Talvez tenha havido apenas um problema de comunicação: o Governo dizia que ia libertar os preços para eles descerem, mas os preços ouviram apenas a parte em que iam ser libertados e começaram imediatamente a explorar a nova autonomia.
Entretanto, ficámos esta semana a saber que a Galp teve lucros de 812 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, mais 44% do que no mesmo período do ano anterior. A margem de refinação passou de 5,9 para 15,8 dólares por barril e o resultado operacional da área comercial aumentou 21%, para 197 milhões de euros.
Entretanto, ficámos esta semana a saber que a Galp teve lucros de 812 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, mais 44% do que no mesmo período do ano anterior. A margem de refinação passou de 5,9 para 15,8 dólares por barril e o resultado operacional da área comercial aumentou 21%, para 197 milhões de euros.
A administração propõe agora aumentar o dividendo. Portanto, a concorrência está efectivamente a funcionar. Resta saber a favor de que consumidor.
Se Durão Barroso estava a falar do automobilista que põe vinte euros e recebe combustível suficiente para deslocar o ponteiro com alguma timidez, a previsão teve alguns problemas. Se estava a falar do consumidor de dividendos, foi de uma precisão impressionante. Talvez o erro tenha sido nosso. Ouvimos «a favor do consumidor» e julgámos que consumidor era quem comprava gasolina. Nestas reformas, a frase costuma ser dirigida a toda a gente, mas o benefício tem lista de convidados.
Se Durão Barroso estava a falar do automobilista que põe vinte euros e recebe combustível suficiente para deslocar o ponteiro com alguma timidez, a previsão teve alguns problemas. Se estava a falar do consumidor de dividendos, foi de uma precisão impressionante. Talvez o erro tenha sido nosso. Ouvimos «a favor do consumidor» e julgámos que consumidor era quem comprava gasolina. Nestas reformas, a frase costuma ser dirigida a toda a gente, mas o benefício tem lista de convidados.
